quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O REINO DE DEUS




Antes de iniciarmos este estudo, quero advertir que só comece quando realmente estiver pronto, pois tratando de estudo bíblico precisaremos de tempo.  Consulte os textos citados da Bíblia e leia o que for pedido, pois um bom estudante não se satisfaz em aceitar qualquer ensinamento sem antes examinar nas Escrituras. Ore antes de começar um estudo bíblico para que o Espírito do Senhor clareie sua mente e te faça compreender as Verdades contidas em Sua Palavra.
Se você já está pronto, vamos a mais um passeio nas Sagradas Letras.
Quando João Batista, primo de Jesus (Lc 1.30) veio anunciar sua missão terrena, conforme fora profetizado (Is 40.3; Jo 1.19-23; 36, 5), ele pregava dizendo:“Arrependei-vos, porque é chegado o reino de Deus” (Mt 3.1,2)
Os judeus fizeram muita confusão em relação ao que seria o Reino de Deus ou Reino dos céus, de tal modo que até hoje muitos deles não creem que Jesus era o enviado de Deus porque ele não veio derrotando o Império Romano que os oprimia.
A palavra Reino significa “monarquia” (governo de um rei ou rainha).
Alguns exemplos da palavra Reino no sentido de governo
1 Cro 29.11:”... teu é Senhor, o reino, e tu te exaltaste por cabeça sobre todos”;
 Sl 45.6: “O teu trono ó Deus, é eterno, o cetro do teu reino é um cetro de equidade”. Mt 18.36
Sl 103.19: “O Senhor tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo”.
Mt 6.13: “E não nos induzas a tentação ... porque teu é o reino, e o poder,e a glória, para sempre. Amém”
Agora, para ficar mais claro, releia os versículos acima substituindo a palavra reino pelo seu sinônimo governo e você compreenderá melhor o sentido desta palavra no contexto que estamos estudando.
Entendendo isso, podemos verificar que o que João Batista estava dizendo com esta frase era: “Arrependei-vos porque Deus, através de Jesus, veio pessoalmente governar a humanidade”. (Mt 3.1,2)
Vamos agora observar, baseados no versículo acima, como funciona o governo  de Deus, ou seja, como ele quer que nós o sirvamos.
Primeiramente, veremos quem pode fazer parte do seu Reino (do seu governo), para tanto, analisaremos o texto de Mt 3.1,2 que expus acima:
1.            Arrependei-vos (Mt 3.2): A primeira coisa que João Batista anunciou quando dizia que o reino de Deus chegou a Terra, foi que todos se arrependessem dos seus pecados. Deus nunca aceitou o pecado. Leia Is 59.2; S 51.9-11;  1 Jo 3.8; 1 Jo 5.8,9 e 1 Jo  1.9.

COMO SABEMOS QUE NOS ARREPENDEMOS DOS NOSSOS PECADOS?
Existe grande confusão no tocante a esta questão entre algumas pessoas que aceitam o evangelho porque existem dois sentimentos que frequentemente se confundem, os quais são:
a.   Remorso: Quando alguém sente a consciência pesada por algo que fez. Judas é um exemplo muito claro disso. Ficou tão triste por ter traído aquele homem justo e bom, que não suportando a culpa se matou. Ainda assim ele é chamado de “Filho da Perdição”.
b.   Arrependimento: Embora a pessoa arrependida também tenha peso de consciência e fica triste por causa da culpa que sente, a Bíblia mostra a diferença entre a tristeza produzida pelo arrependimento e a produzida pela culpa. Leia 2 Co 7.9, 10
Percebemos, neste texto, que quando a tristeza é produzida por Deus ela produz o arrependimento. Sem o convencimento do Espírito Santo ninguém é capaz de reconhecer-se pecador, pois é Ele quem nos convence do pecado. Leia Jo 16. 7,8.
Veja o caso de Davi no Salmo 51, e o de  Pedro, descrito em Mateus 26.75, e finalmente, o que a Bíblia relata sobre Zaqueu  em Lucas 23.40.
O próprio Jesus pregava que o arrependimento era a ponte que permitia que o pecador chegasse ao trono de Deus. Ele disse: “(...) Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus.” ( Mt 4.17)
Os discípulos de Jesus, a exemplo do Mestre pregavam que todos se arrependessem de seus pecados para fazerem parte do Reino de Deus (Leia Mc 6.12)
João Batista, que veio preparar o caminho para Jesus dizia ao povo que após ele viria um que era maior do que ele, e sempre pregava que o meio pelo qual poderiam pertencer ao Reino dos céus era arrependendo-se de seus pecados (Leia Lc 3. 3).
Jesus falou a mesma coisa para Nicodemos: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino (governo) de Deus”. (Jo  3.1-3)
Nascer de novo, quer dizer, começar do zero. Um recém-nascido chega ao mundo com a mente e o coração puros, e vem pronto a aprender. O homem quando aceita o Evangelho de Cristo deve, da mesma forma, ficar nesta condição de recém-nascido.
O apóstolo Pedro explicou que, nascemos de novo, ao morremos para o pecado: “Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; (...)“ (1Pe 2.24)
O apóstolo Paulo, ensinou a mesma coisa aos irmãos romanos, conforme lemos a seguir: “Assim também vós considerai-vos como mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Rm 6.11)
Em outra ocasião ele ensinou aos irmãos romanos que o arrependimento produz mudança de vida. Leia suas palavras em Romanos 12.2 e Efésios 4.28.
Aos irmãos de Colossos (os colossenses), o apóstolo aos gentios (Paulo), disse-lhes que uma vez mortos para o mundo foram ressuscitados com Cristo (este é o símbolo do batismo nas águas), portanto deveriam buscar as coisas de cima (do céu) e não as da Terra. O Reino de Deus é celeste, suas leis são diferentes das leis terrenas. Leia esse texto em Cl 3.1-17.
OBS. Só para você entender porque chamamos o apóstolo Paulo de apóstolo aos gentios, leia At 9.15; 22.21 e Rm 11.13.
O apóstolo João também nos exorta a não amarmos o mundo, dizendo-nos que quem ama o mundo, o amor do Pai (Deus) não está nele (1Jo 2.15).
Agora fazemos parte de outro Reino (o Reino dos céus) e não podemos nos apegar ao Reino terreno.
A palavra MUNDO tem vários significados, dentre os quais:   O universo inteiro;  A humanidade;  Os prazeres carnais que não agradam a Deus (a vida mundana).
E é nesse sentido (a vida mundana) que o texto acima se refere.
Observamos que o arrependimento nos faz mudar de atitude, fazendo-nos desejar ser livres do pecado, enquanto que o remorso é algo momentâneo, que desaparece com a mesma rapidez com que chega ao nosso coração.
Ao nascermos de novo, isto é, quando vivemos como mortos para o mundo, passamos por um processo de purificação conforme afirma os seguintes versículos: João 7.38,39 e Tito 3.5.
Nestes textos encontramos algumas simbologias como, por exemplo, “água”, que em algumas citações representa o Espírito Santo e em outras simboliza a Palavra de Deus, como é o caso de Ef 5.25, 26.
2.         E sede batizados (At 2.38) - O batismo nas águas é um símbolo de que morremos para o pecado (coisas que desagradam a Deus), e nascemos para Ele. Por isso João Batista pregava o arrependimento e os que se convertiam eram batizados (Mt 3. 6; Lc 3.16 e At 19.4).
Jesus, antes de subir ao céu, ordenou que todos os que se convertessem ao Evangelho, isto é, os novos súditos de seu Reino,  fossem batizados, como sinal de que desejavam morrer para o mundo (nosso antigo Reino) e viver para Ele (para o Reino de Deus). Leia Mt 28.19;Mc 16.15,16.
Sobre o batismo nas águas, você pode ler o estudo neste blog, intitulado “A IMPORTÂNCIA DO BATISMO NAS ÁGUAS”.

O QUE É O REINO DE DEUS?.
1.             NÃO É DESTE MUNDO: Quando Jesus foi crucificado, ele disse: “O meu reino não é deste mundo”- ( Jo 18.36).
Isso significa que as regras do reino dos céus não são exatamente as mesmas do reino da terra.

Vejamos alguns conceitos humanos e como são entendidos no Reino de Deus. :
Leia Mt 5,27,28, 31,32; 7.12; Lc 9.52-56 .
Em Lc 9.52-56, vemos que os discípulos pensavam que as desavenças deveriam ser resolvidas no braço (com violência), no entanto Jesus os repreendeu dizendo-lhes: “Vocês não sabem de que espírito vocês são. Porque o Filho do Homem não veio para destruir as almas (as pessoas), mas para salvá-las”.
No governo terreno quem se opor contra um presidente ou um rei deve ser punido, mas no governo de Deus, esta pessoa deve ser tratada com misericórdia, conforme ensina Timóteo: “Porque Deus não nos deu o espírito de medo, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação.”
Ou seja, o fato de não agirmos com violência não é porque somos medrosos, pois Deus nos deu espírito de fortaleza (somos fortes), mas porque temos o espírito de amor, e o apóstolo Paulo diz que o amor (caridade) é bom (1Co13.4)  e também, porque somos moderados (não agimos por impulso, no calor das emoções). Para o Reino de Deus isso é ser forte: Saber nos policiar, nos conter.
Em Mateus 5.27,28, observamos que Jesus precisou explicar os mandamentos descritos em Êxodos 20, porque os homens estavam interpretando-os de maneira superficial. Então Jesus usou a seguinte expressão: “Ouviste o que foi dito (Istoé, os mandamentos que Deus deu através de Moisés)”, e em seguida completou: “(...), Eu, porém, vos digo (...)”.
Jesus não estava desfazendo dos mandamentos primitivos, mas explicando-os, ou seja, ele estava falando não da letra do mandamento (o que literalmente estava escrito), mas do espírito da letra (o sentido real dos mandamentos).
 Leia Rm 2.29 e  2 Co 3.6 para comentarmos sobre esse assunto. 
Em Romanos 2.29, Paulo esclarece aos irmãos de Roma que, quando ele fala de judeus e de circuncisão, não está falando de forma literal (da letra da lei), mas daqueles que o são de coração (do espírito da lei, no sentido mais amplo do termo).
E explica: Circuncidado, conforme a exigência da real lei divina, não se trata mais de quem faz a intervenção cirúrgica (esta lei era só para os judeus), mas aquele que é puro de coração. Segundo a lei judaica, todo judeu precisava ser circuncidado para fazer parte do povo de Israel, assim, disse Paulo, o cristão também  precisa “ser circuncidado” se quiser fazer parte do povo de Deus, mas não a circuncisão ritual,  mas a simbólica, ou seja, Paulo queria que a Igreja romana conseguisse extrair da letra da lei (do sentido literal) o significado  dela (o espírito da lei).
A circuncisão era símbolo de pureza para os hebreus (o povo de Israel), assim sendo, simbolicamente, circuncisos para Deus era aquela pessoa que era puro de coração. O apóstolo estava dizendo que não adiantava nada ser circuncidado de forma literal e ter o coração cheio de coisas que não  agradam a Deus.
Era isso o que Cristo estava querendo dizer aos fariseus em Mt 5. 27-48:
 Jesus estava explicando que quando Deus disse: Não adulterarás, ele não estava preocupado com a forma literal da palavra, conforme o dicionário faz. Ao dizer: Não adulterarás, não estava em xeque apenas o ato em si, mas a infidelidade, por isso Jesus explicou que o pensamento lascivo (pensar sexualmente em alguém), também é considerado por Deus como um ato de adultério, pois não deixa de ser uma infidelidade, tanto para a vítima dos pensamentos lascivos, quanto para o cônjuge.
Leia Malaquias 2. 13,14 e em seguida leia Isaias 1.10-18.
É devido a essa falta de entendimento da qual trata esse capítulo que muitos cristãos servem a Deus de maneira ritualística, sem ao menos entenderem o que fazem. Eles apenas cumprem os mandamentos de Deus ao pé da letra, mas sem compreenderem o que ela realmente significava (o espírito da lei).
O texto mostra que Deus ordenou que eles oferecessem ofertas e os hebreus ofereciam.  Deus ordenou que em determinadas épocas eles fizessem cultos solenes e eles faziam. Porém, não havia sentido em nada daquilo, eram apenas rituais.
“Então, Deus se zangou e perguntou-lhes: Quando vocês vêm perante mim, quem vos pediu para fazerem isso?  E ainda completou: Não tragam mais ofertas debalde (em vão). As vossas solenidades me aborrecem e já estou cansado de as sofrer (de as suportar).” (VV.12,13,14).
Não era o ritual (a letra) que Deus queria que eles cumprissem, mas que o povo compreendesse o porquê de cada solenidade. Que eles compreendessem em cada culto, que pertenciam a um Deus Santo que amava a santidade e a justiça (leia os VV 15-18).
Assim é em nossos dias: Não basta irmos à igreja só porque a Bíblia assim ordena. Por trás dessa ordenança existe um propósito:
Adorar a Deus e cada dia mais nos aperfeiçoarmos como cristãos (seguidores de Cristo), vivendo em união e em amor uns para com os outros.
Sem entendermos o espírito da lei (o propósito), de nada nos adiantará cumprirmos a lei literalmente (a letra da lei).
Você percebe como as leis de Deus são superiores as do mundo? O que te livra de ser condenado não é o cumprir as suas ordenanças, mas a compreensão do espírito de suas leis (do que está nas entrelinhas, no implícito).
Por exemplo, não matamos apenas com instrumentos como faca ou revólver, podemos matar com palavras. Por isso Tiago escreveu quanta desgraça pode fazer a língua. Leia Tg 3.6-10.
Não basta dizermos que amamos a Deus e levarmos o Evangelho aos necessitados, Tiago nos ensina que o amor que Cristo exige de nós tem que vir acompanhado de obras (de atitude). Leia Tiago 2. 14-26.
Quando o apóstolo Paulo disse que os cristãos devem “Orar sem cessar” (1 Ts 5.17), não significa ficar 24 horas por dia de joelhos ou repetindo rezas, mas estar em contato constante com Deus, com os pensamentos sempre ligados nele, assim como estamos sempre ligados em nossas preocupações e obrigações diárias.
Agora faça uma pausa e leia o capitulo 6 de Mateus e o capítulo 7.1-6 e você terá uma ideia de quão diferente é o governo de Deus do governo dos homens
2.            O REINO DE DEUS NÃO É COMIDA, NEM BEBIDA:  Todas as coisas me são lícitas, mas nem tudo me convém (I co 6.12;I Co 10.23).
3.            O autor aos Hebreus disse que somos observados (Hb 12.1).
Obs.: Não sabemos ao certo quem escreveu a carta aos hebreus, embora alguns teólogos acreditam ter sido o apóstolo Paulo por causa da semelhança na linguagem, mas não se tem certeza disso.Leia o texto de 1 CO 8 1.-13 para você entender como o apóstolo Paulo diz que funciona  o governo de Deus.
Paulo fala que muitas coisas não teriam problema nenhum se todos tivessem entendimento, por exemplo, comer comida oferecidas a ídolo, porque sabemos que “o ídolo não é nada” (v  4), no entanto,  não devemos comer tais comidas para não escandalizarmos os que não compreendem (chamados por ele de “fracos”, isto é, sem firmeza espiritual)  (vv7-10).
O Reino de Deus não é comida nem bebida, porque estas coisas são materiais, as coisas divinas são mais elevadas, são de âmbito espiritual, por isso o apóstolo Paulo diz que há coisas que só os espirituais entendem porque se discernem (se explicam) espiritualmente (não de maneira natural) - 1 co 2.14-16.
Jesus também ensinou o que contamina o homem não é o que entra na boca (comida ou bebida), mas o que sai da boca (as intenções e pensamentos). Mt 15.10.11.
Leia o texto de Mt 15;  Rm 14.13-15; 1Ttm 4.4,5;
Concluímos, pois que, o Reino de Deus é diferente do Reino da Terra em alguns aspectos, a saber:
·           É espiritual e seu compromisso é com a alma, cuidando da alegria e da paz do ser humano e preparando-lhe  para viver eternamente junto a Deus.
·           Suas leis tem sentido mais amplo, pois seus mandamentos visam o sentido da lei muito mais do que o que está escrito (a letra). Para Deus não basta não deitar-se com uma mulher para ser implicado como adultério, se desejá-la em seu coração já adulterou com ela (Deus julga as intenções e não apenas as ações consumadas).
·           Para pertencer ao seu Reino, precisamos “nascer de novo”, isto é, nos despojar de todos os costumes aprendidos no reino terreno que não condizem com as leis do reino de Deus. Deverá haver mudança de comportamento e de pensamento em quem se filia ao seu Reino.
·           Suas leis visam sempre o bem mútuo, jamais individual. “Todas as coisas me são lícitas (permitidas), mas nem tudo me convém (porque devo pensar no próximo)”. Por isso, sua lei suprema, a que rege todas as outras é o AMOR, conforme  você pode observar no texto abaixo:
“E o meu mandamento é este: “Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. Vós sereis meus amigos se fizerdes o que eu vos mando” .  João 15.12-15
Que deus te ilumine a fim de servi-lo com toda a lealdade e amor.

Fique na Paz de Cristo,
Leila Castanha
01-01-2014


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