quinta-feira, 6 de junho de 2013

A FUNÇÃO DOS ANJOS


 A palavra “anjo” significa “mensageiro”. 

Quem são os anjos?   
São criaturas de Deus, assim como nós.   Os anjos são mensageiros de Deus, cuja função é servir aos santos, sob ordens divina.

 Há muitas seitas que foram fundadas por meio de instruções de anjos. Há também crentes que baseiam suas atitudes em instruções de algum anjo, sem contextualizar suas “instruções” com a Palavra de Deus.
Não podemos ouvir a quem quer que seja, se seus ensinamentos estiverem fora do que ensina a Bíblia. Ela é o guia do cristão, e se nos orientarmos por qualquer outro guia sem nos preocupar se a direção é respaldada pela Palavra de Deus, certamente nos perderemos do Caminho certo. Por isso é muito importante entendermos qual é a função dos anjos.

Primeiramente, observemos o que diz os Salmos (148.2-5): “Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-o todos os seus exércitos. (...) Que louvem o nome do Senhor porque mandou, e logo foram criados”.

Observamos aqui duas coisas:
1)    Deus ordenou;
2)     Os anjos foram criados.

Na carta do apóstolo Paulo aos irmãos colossenses (1. 16), observamos que todos os poderes  que conhecemos, no céu ou na terra, visíveis ou invisíveis, sejam príncipes, potestades (poderosos da terra ou do céu), foram criados por Ele e para ele, e é claro, incluindo-se o céu fala-se dos anjos.

Quanto ao segundo tópico, devemos entender que os anjos são mensageiros de Deus aos homens.   Uma de suas missões é levar recados de Deus a alguém. Sempre que Deus quer enviar uma mensagem a uma pessoa ele pode utilizar-se de vários meios, como por exemplo:  sonho, visão, profecia e também por meio de seus anjos.
Esse último meio era muito raro de acontecer, porque  Deus só enviava um anjo para falar com alguém quando se tratava de algo de muita relevância para a vida dos seus servos ou da nação (Jó 33.15; ICo 14.40).
Vejamos agora alguns casos em que Deus falara com os homens por meio de seus anjos. Daniel, recordando-se da profecia de Jeremias (25.11,12; 29.10-14) sobre o fim do cativeiro de Israel (eles estavam cativos na Babilônia),  compreendeu que setenta anos dos quais falara a profecia já estava no fim e não havia indícios de libertação (restauração, do retorno) de Israel, por isso foi orar angustiado. Daniel ficou tão angustiado, provavelmente por pensar que Deus havia se esquecido de sua promessa que fez um sacrifício de jejum e humilhação a Deus e foi orar pedindo-lhe uma  resposta.
Em outra ocasião, quando Deus lhe enviou novamente um anjo, Daniel estava tão aflito que havia entrado em um estado de depressão, a ponto de não conseguir comer, beber ou cuidar-se, conforme nos indica o capítulo 10.1-3. O Senhor sabendo de sua angústia enviou-lhe um anjo para tranquilizá-lo, explicando-lhe do que se tratava a profecia e como ela se cumpriria.

Todavia, devemos observar, pelo menos duas coisas:

Quanto a Daniel observamos que era um homem muito amado por Deus, conforme declara estes dois versículos:  “No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declara, porque és mui amado (...).” (Dn 9.23);  “Daniel, homem mui desejado”  (Dn 10. 11). (itálicos meus)

Quanto ao anjo observamos que ele cumpria ordens divina Saiu a ordem e eu vim...”(Dn 9.21-23);  “Porque eis que te sou enviado” (10. 11b). (itálicos meus)

Em gênesis 19.1,13, vemos outro episódio no qual Deus enviou dois anjos para falar com um dos seus servos. Ló havia escolhido morar em uma cidade chamada Sodoma, porém, devido a grande depravação da cidade (dentre as quais, a Bíblia explicita que havia práticas homossexuais) Deus resolveu destruí-la, mas por intercessão de Abraão (tio dele), o Senhor enviou seus anjos para convencer Ló e a sua família a retirarem-se, antes de Ele destruir a cidade.

Nesse episódio devemos compreender o seguinte:

Por que Deus enviou seus anjos à Ló?  Porque Abraão, que honrava a Deus com sua fé (Abraão foi o homem que mais confiou em Deus), pediu que Ele o salvasse;

Por que os anjos foram salvá-lo? Porque foram enviados por Deus (Leia o versículo13).

Zacarias, pai de João Batista, foi outro homem que recebeu a visita angelical. Deus enviou-lhe um anjo (O mesmo que foi enviado a Daniel – compare com dn. 9. 21) porque somente um milagre o faria crer que seria pai, uma vez que ele e sua esposa já eram velhos. E o motivo principal era o fato de que seriam pais da criança que no futuro iria anunciar a vinda de Jesus Cristo.
Olha o tamanho da importância da mensagem! Os anjos não foram enviados a Zacarias apenas para dizer-lhe que ele e Ana seriam pais, mas para explicar-lhe  quem seria seu filho.

Pensando um pouco sobre o episódio acima observamos que:

Zacarias e Ana não eram qualquer um, mas “eram ambos (ele e sua mulher) justos perante Deus, vivendo irrepreensivelmente em todos os mandamentos e preceitos do Senhor”. (v. 6).

O anjo não foi visitá-lo porque resolveu ir, mas porque Deus o enviara. (Veja o v.19).

Por enquanto, fiquemos apenas com estes exemplos, mas você pode consultar as referências bíblicas e ler outras histórias onde houve visitas de anjos, como por exemplo, no anúncio do nascimento de Isaque, na profecia do nascimento de Sansão, a Cornélio etc.


Os anjos de Deus não devem e nem aceitam ser adorados:

Nos exemplos que citei acima, podemos observar esta realidade. Vemos, por exemplo, quando os anjos foram salvar  Ló e a sua família, algumas provas de que Ló não os adorou. Leiamos novamente Gênesis 19.1: “E vieram os dois anjos a Sodoma à tarde, e estava Ló assentado à porta de Sodoma; e, vendo-os Ló, inclinou-se com o seu rosto em terra”. (itálico meu)

Esta passagem não dá nenhum suporte para que alguém entenda que deva adorar aos anjos, pelos seguintes motivos: 
1º. Ló não sabia que eram anjo;
2º Ló inclinou-se para eles, achando que eram estrangeiros. Isto era um cumprimento de boas vindas, e não representação de adoração.
Observamos essa prática, por exemplo, na narrativa de Gênesis 33. 7, quando houve o reencontro entre Jacó e Esaú. As duas mulheres de Jacó e seus filhos cumprimentaram a Esaú curvando-se diante dele.
Esse costume é muito comum entre os povos do Oriente. Observe, nos filmes, os japoneses se cumprimentando.
3º. Ló tentou proteger os  visitantes: Ló, sabendo do perigo que aqueles estrangeiros correriam ficando na rua,  insistiu que pernoitassem em sua casa, e inclusive pediu aos homens que queriam pegá-los que não lhes fizessem mal, porque foi para protegê-los que  os levou para sua casa. (v. 2,3, 8).  
Podemos perceber através da leitura o desespero de Ló tentando protegê-los. Seria ilógico um homem tentar proteger anjos. 
4º. Os anjos só se manifestaram porque a vida de Ló estava em risco: Todos pensavam que os anjos eram estrangeiros e não seres celestiais (v. 5). Mas quando os homens maus ameaçaram a integridade física de Ló, então, os anjos reagiram, abandonando os seus “disfarces”. Eles tinham ordens de Deus para salvar a Ló e a sua família, então precisaram agir (Leia os vv. 13). Até então, eles haviam se comportado como seres humanos, inclusive comeram na casa de Ló e deixaram-no tentar salvá-los (v. 3).


Porque não podemos adorar aos anjos:

Em Êxodo 20. 3-5, observamos a ordem de Deus, na qual ele proíbe a criação de imagens de anjos (as imagens eram objetos de adoração dos povos). Seu mandamento diz o seguinte:

“Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagens de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus (os anjos são do céu), nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás (...)”. (itálico meu)

Se observarmos, perceberemos que quando os anjos apareciam para os personagens bíblicos, eles vinham  a mando de Deus, em resposta a suas orações. E a quem eles oravam? Exatamente! Oravam a Deus( Dn 9.20; Lc 1.11-13,19; At 10.1,2; At 12.11,23.17) . Quem enviava a resposta não eram os anjos, mas Deus enviava os anjos com a resposta.

Agora vamos observar nos exemplos abaixo como se comportavam os anjos quando queriam adora-los:

O anjo e Daniel: Quando Daniel notou a presença do anjo, ele inclinou-se para adorá-lo. Então o anjo tocou-lhe e fez com que se levantasse, dizendo-lhe:

“Daniel, homem mui desejado, está atento às palavras que te vou dizer e levante-te sobre os teus pés; porque eis que te sou enviado. E falando ele comigo esta palavra, eu estava tremendo”. (itálico meu)

Notamos que a justificativa do anjo de não ser adorado é porque ele apenas era um mensageiro enviado para  trazer um recado, portanto,  não era Deus.

Para melhor entendermos o que o anjo estava querendo dizer com a frase “porque te sou enviado”, darei um exemplo:

 Imagine que você tenha pedido um presente para uma pessoa de sua família. A pessoa comprou o presente e enviou pelo correio. Um dia, o carteiro bateu a sua porta para entregar o tal presente e você se lançou ao pescoço dele agradecendo-lhe por atender o seu pedido.

Não seria estranho! Afinal, o carteiro só está cumprindo seu dever, este é o trabalho dele. Não foi ele quem te deu o presente, apenas foi incumbido de levá-lo até você.

Entendeu agora? Quando um anjo aparece para um servo de Deus, ele não deve ser adorado,  porque ele só está cumprindo o seu trabalho. Ele obedece às ordens de Deus, portanto, quem deve ser adorado é o próprio Deus que enviou a resposta ou a bênção que pedimos, não o seu mensageiro.

O apóstolo Paulo também deixou bem claro que entendia a diferença entre os anjos e Deus: “Porque esta mesma noite, o anjo de Deus, de quem sou e a quem sirvo, esteve comigo”. (At 27.23)

Vimos no texto paulino que o anjo e Paulo eram de Deus, e era a Deus que Paulo pertencia e servia.

No versículo 24, o apóstolo Paulo conta o que o anjo lhe dissera: “Não temas! Importa que sejas apresentado a César, e eis que Deus te deu todos quantos navegam contigo”.

Observe a frase em negrito: O anjo mesmo dissera que quem operou o milagre (salvou os tripulantes juntamente com Paulo) foi Deus. Ele só veio dar-lhe o recado.

Os anjos também adoram a Deus:

Hb 1:5: “E todos os anjos de Deus o adorem”.

Ap; 7.11: “E todos os anjos estavam ao redor do trono (...); e prostraram-se diante do trono sobre o seu rosto dizendo: Amém! Glória e sabedoria, ações de graça, e honra, e poder, e força ao nosso Deus para todo o sempre. Amém!”

Leia Is 6.2 e Ez. 1.6 (sobre os querubins).


Perigosas aparições de anjos: Assim como existem os anjos de Deus, chamados anjos de luz, existem os que caíram juntamente com Satanás, denominados anjos das trevas ou  demônios (Jd 6; I Pe 2.4; Ap 12.9 etc).
Através da Bíblia podemos compreender que esses anjos das trevas têm alguns poderes, destacaremos apenas três:
a.    Podem se camuflar de anjo de luz (2 Co 11.14,15);  
b.    Eles podem falar e são inteligentes (Mc 1.23- 25; 3.11);
c.    Podem fazer milagres como se fossem anjos de Deus (Ap 16.14).
Há uma seita que baseia sua regra de fé em uma visão de seu líder, no qual um anjo lhe apareceu e mostrou umas revelações (que não estão na Bíblia). Todavia, a própria Bíblia já previa que ainda que um anjo do céu pregasse outro evangelho, além do que já fora pregado, nós devemos tê-lo por maldito (anátema) – (Gl 1.8). Não podemos nos esquecer do que eles são capazes!

O ANJO DO SENHOR
Quando a Bíblia se relaciona a um anjo como “O anjo do Senhor”, trata-se do próprio Jesus. Sempre que ele aparece, não recusa receber adoração (Ex 23. 20-23), diferente dos outros anjos.
Algumas vezes é chamado de Deus, como no caso descrito em Gênesis  16. 10,13. Também vemos características que não encontramos nas demais descrições de anjos, como, por exemplo, no caso de gêneses, citado acima, vemos o nome “Anjo do Senhor”, e o fato de ter sido chamado de Deus.
Em gênesis 22.11,12, além de ser chamado “Anjo do Senhor”, ao falar com Abraão para não matar Isaque, o anjo disse-lhe: “...Porque agora sei que temes a Deus e não me negaste teu filho”.
Segundo a Bíblia, quem é que disse “Eu e o Pai somos um?” (Jo 10.30). Logo, entendemos que ao fazer a vontade do Pai, também alegrava o Filho (Jesus), por isso ele disse “sei que temes a Deus (elohin – Deus no plural) e não me (o Filho falando) negaste teu filho”.


Resumindo: Os anjos servem os salvos, mas a mando de Deus, não dos homens, conforme nos mostra o seguinte texto:  “Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos”. Sl 91:11

Percebemos, então, que é Deus quem dá a ordem e os anjos nos protegem.

Nós (os salvos) iremos  julgar os anjos caídos: “Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? (...)”. (I Co 6.3)

O apóstolo Pedro explica (II Pe 2.4) que os anjos caídos estão aguardando o juízo, e Paulo revela que a Igreja vai julgá-los (não os outros anjos).

Assim, dentre muitos motivos pelos quais não devemos adorar aos anjos , citaremos cinco:

Conforme já vimos pela Bíblia, os anjos são criaturas de Deus, e não devemos adorar a criatura, mas ao Criador. Segundo lemos em Colossenses 1.16, tudo o que Deus fez (incluindo os anjos), são para a sua glória, “tudo foi feito por ele e para ele”.

O próprio Deus proibiu a adoração a qualquer outro que não fosse Ele próprio. (Mt 4.10).

 Os próprios anjos recusam a adoração, enfatizando que foram enviados por Deus (não são o próprio Deus). (Dn 10.11)

Os anjos louvam a Deus dizendo-lhe, dentre outras coisas, que a honra e a glória (a majestade, o engrandecimento) devem ser dadas somente à Ele para todo o sempre (Ap 5. 11,12)

A função deles é trabalham em favor dos santos (guardando-os, levando recados etc). (hb 1.14); Em hebreus 1.14, o escritor, (não se sabe quem escreveu), diz: “E a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra, até que ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés? Não são, porventura, todos eles espíritos ministradores (que servem), enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?”

Enfim, não podemos adorar aos anjos porque o próprio Deus nos alertou dizendo-nos:

“Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, à outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de esculturas”. (Is. 42.8)


No amor de Cristo,
Leila Castanha
05/2013