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sexta-feira, 28 de junho de 2024

DEUS USA AS CRIANÇAS COMO ELAS SÃO

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Além do Salmo 14.2 e Romanos 3. 23-26, que fala muito claramente sobre a realidade do pecado ter infectado toda a raça humana desde seu nascimento, ainda vemos na Bíblia histórias que nos fazem compreender que crianças também podem, não só ter influência de condutas más,  mas até mesmo serem possessas de espíritos malignos. Um dos exemplos acerca dessa verdade encontra-se em Mc 9.17-21.

Segundo Spurgeon, o problema por trás da ideia de que as crianças não suportam ouvir toda a verdade revelada na Bíblia é fundamentada na ignorância que muitos cristãos têm a respeito do quanto as crianças são capazes de entender o que lhe falamos , e, também é motivada pelo fato de acharem que as crianças são cem por cento puras, isto é, não têm pecado, de modo que não precisam das verdades do Evangelho, e, desse modo, expos--lhes as doutrinas cristãs em sua totalidade só vai confundi-las ou assustá-las

Precisamos entender que, apesar de ser criança, ser ingênua, pura,  ao nascer, ela já traz consigo a semente do pecado.

O escritor Dan Brewster, chamou a atenção de seus leitores para o fato de que  “Os bebês e as crianças não são só consumidores ou futuros adultos, ao contrário, eles foram concebidos para louvar a Deus e sua glória e receberam este mandamento. Essa afirmação foi fundamentada na reflexão do autor sobre a passagem do Salmo 8.2, que diz o seguinte: "Dos lábios das crianças e dos recém-nascidos firmaste o teu nome como fortaleza, por causa dos teus adversários, para silenciar o inimigo que busca vingança.” (Brewster, 2015, p.39).

Tendo essa reflexão como premissa, as crianças e os adolescentes não devem ser relegados a segundo plano, mas eles precisam ser entendidos pelo que realmente são: pessoas reconhecidas por Deus como promotoras do perfeito louvor, e este louvor tem o poder de silenciar o Inimigo. Crianças não são pessoas sem valor, muito pelo contrário, elas sao armas poderosas nas mãos de Deus, e quanto mais novas estão livres dos preconceitos que alteram a visão dos adultos, mais cedo estarão abertas a aprenderem o temor do Senhor e se encherem da Sua glória.

Samuel era apenas uma criança quando o Senhor falou com ele. E, apesar de o menino não ter entendido nada do que estava acontecendo, achando que foi Eli quem o chamava, Deus via nele um potencial em suas mãos. A maioria dos pregadores costumam pontuar a inocência de Samuel em não entender quem lhe falava, porém se esquecem que o experiente profeta que o criava percebeu que era Deus quem chamava o menino na terceira vez que o garoto veio procurá-lo, achando que ele o chamara. É exatamente isso que Spurgeon aponta ao tentar nos convencer que tanto crianças como adultos podem não ter experiências com Deus ou não compreender o que Ele lhes diz pela Sua Palavra, porém, o Príncipe dos Pregadores evidencia que, nesse caso, só criticamos as crianças sob a desculpa de que não entendem nada, no entanto, o autor deixa claro que a não compreensão bíblica nada tem a ver com a idade, mas com o grau de compromisso com o Senhor e a revelação do Espírito Santo.

  O próprio Jesus mostrou o quanto valorizava as crianças, citando, provavelmente, esse salmo. Em Mt 21.16, após expulsar os comerciantes do templo, Jesus curou alguns coxos e cegos que se aproximaram dele e as crianças se puseram a gritar: “Hosana ao Filho de Davi!”. Isto deixou os sacerdotes do templo indignados pelo fato de Jesus estar dando vasão ao comportamento de simples crianças, e lhe perguntaram: “Você não está vendo o que estas crianças estão dizendo?”  E a resposta de Jesus foi a seguinte: “Sim. Vocês nunca leram: ‘dos lábios das crianças  e dos recém-nascidos suscitastes louvor?’ - (Mt 21.16). Em seguida, se retirou deles, sem falar mais nada.

Não houve adultos engrandecendo o Mestre naquele momento, apenas crianças. Jesus não ralhou com elas nem tampouco concordou com a crítica dos sacerdotes, nem fez observações sobre serem novas demais para falar de coisas sérias, mas aprovou o comportamento delas, salientando o que a Palavra de Deus dizia sobre os pequeninos, isto é, o louvor perfeito provém da boca deles, então deveriam louvá-lo, ao invés de serem silenciadas.

Dan Brewster, comentando sobre a passagem de Jo 3.3, na qual Jesus afirmou que “Ninguém pode ver o Reino de Deus se não se fizer como uma criança”, argumenta que, embora esse texto seja bem conhecido e citado com frequência, nós não temos sido capazes de compreender o conceito de ser criança, bem como do que é a infância. Com essa afirmação de Jesus, Brewster procura mostrar que no texto supracitado não há menosprezo de Jesus pelas crianças, antes, Ele ordena que os adultos se tornem tais como elas, isto é, que comecem sua vida tudo de novo, afirmação essa contrária a  menosprezar os pequenos.

A criança está aberta a receber o ensinamento

Nesse ponto, Spurgeon acrescenta que as crianças, além de necessitar do conhecimento do Evangelho, precisa recebê-lo sem rodeios, nem minimizados, mas de modo integral, de modo que devemos lhes transmitir as verdades bíblicas de  modo simples, mas sem negar-lhes essa ou aquela doutrina, sob o pretexto de não serem adequadas para elas.

 O Charles Spurgeon, critica alguns professores de Escola Dominical que evitam falar às crianças sobre alguns textos bíblicos ou doutrinas, achando que não estão preparadas para ouvi-las, ao que conclui dizendo que não há qualquer doutrina da Bíblia que a criança não seja capaz de compreender, visto que “tudo o que Deus revelou deve ser pregado”, até para os pequeninos.

Entender a criança como o futuro da Igreja é condená-la a viver mais tempo em pecado e sem o conhecimento de Deus e da salvação de suas almas. A Bíblia ensina a ensinar a criança desde a infância, e não esperar que ela cresça para lhe comunicar as verdades divinas (Pv. 22.6) 

As crianças estão em nosso templo hoje, para serem evangelizadas hoje, serem transformadas por Cristo hoje e serem uma bênção para o Reino de Deus hoje. Deus não esperou Samuel crescer para entender mais a seu respeito, ele falou com o menino, embora o pequeno ficasse confuso sobre quem lhe falava, o Senhor insistiu em lhe falar até que, na prática, e sob orientação do experiente sacerdote Eli, Samuel aprendeu a reconhecer a voz divina e foi grandemente usado nas mãos do Todo-Poderoso. Sem deixar de  pontuar que a primeira mensagem que Deus entregou a Samuel para ele repassar a Eli foi ‘água com açúcar’, mas um recado tão pesado sobre um assunto tão delicado que Samuel ficou sem saber o que fazer com aquela revelação,  se compartilhava ou não com o idoso Eli - 1 Sm 3.15.

Deus não menospreza a capacidade intelectual e social de uma criança, então quem somos para achar que elas não podem ser vasos de bênção na casa de Deus?

 Observação: Clique aqui para saber mais sobre a capacidade da criança de entender a Palavra de Deus

Para saber sobre a criança e sua condição de pecador, clique aqui.


Com amor,

Leila Castanha

06/2024

 

BIBLIOGRAFIA

BÍBLIA - NVI

BREWSTER, Dan. A criança, a igreja e a missão. Viçosa, MG: Ultimato, 2015

SPURGEON, Charles. Pescadores de crianças: orientação prática para falar de Jesus às crianças. São Paulo: Shedd Publicações, 2004

      

 

     

 

segunda-feira, 3 de junho de 2024

A CRIANÇA E O SEU VALOR PARA O REINO DE DEUS


 TEXTO BÍBLICO: Mt 18.1-7

"A criança é o presente da Igreja e a garantia do nosso futuro”, esse é o lema da EBD kids da Assembleia de Deus Viva em Cristo. Esse lema ao ser formulado foi pensado de duas formas: em sua primeira parte, diz respeito à Igreja Universal, à noiva de Cristo, para quem a criança é um presente de Deus  e também se faz presente em sua história, visto que Deus sempre usou e ainda usa as crianças para os seus propósitos. A segunda parte, fala a respeito da Igreja Universal, bem como também da local, pois o próprio Jesus disse que o Reino dos Céus pertencem a elas, e a igreja local não subsiste sem haver crianças em seu meio, pois elas são os futuros obreiros, quando os adultos já não estiverem nessa vida e os jovens se tornarem idosos. Quem nos representará quando chegar essa realidade? A resposta é apenas uma: as crianças. Por isso é importante as educarmos no temor do Senhor e ensinamos a elas, com palavras, exemplos e atos, a servirem a Deus e a sua Igreja.

Brewster, autor de "A criança, a igreja e a missão", chama a nossa atenção para o fato de que todo grande movimento da história investiu nas crianças: o nazismo e o comunismo “treinaram legiões de crianças” para continuar suas ideologias políticas. O Talibã - uma organização fundamentalista do Afeganistão - treina crianças para defenderem suas causas. Na Bíblia, observamos governos como o de Nabucodonosor, que recrutou adolescentes, como Daniel e seus amigos, para treiná-los. Dan Brewster adverte que os evangélicos, nos últimos tempos, parece que se descuidaram dessa missão para com as crianças. 

A Igreja de Cristo nunca vai acabar: A primeira coisa que precisamos entender quando se fala em Igreja, a noiva de Cristo, é que  Jesus já garantiu que as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Logo ela é indestrutível. No entanto, quando nos reportamos à igreja, como uma congregação local, o sucesso dela vai depender do grau de obediência de seus líderes às instruções do Mestre - Jo 15.5-7

 “Será que já existiu um reino sem crianças?” Essa foi a pergunta do pregador Batista inglês, do século 19, Charles Spurgeon, denominado O Príncipe dos Pregadores, devido a sua eloquência na pregação da Palavra de Deus. João Batista, que veio para anunciar a Cristo, pregava a seguinte mensagem: “Arrependei-vos, pois é chegado o Reino dos Céus”. João pregava o Evangelho do Reino. Portanto, se o Evangelho é a boa notícia do Reino (de Deus), e, uma vez que todo e qualquer reino é composto de adultos e de crianças, segundo o pensamento de Spurgeon, não é possível que no Reino divino não haja a presença delas.

 Spurgeon também pontuou que, além de ser necessário haver crianças em qualquer reino, Jesus afirmou que O REINO DO CÉU PERTENCE A ELAS. Os pequeninos não são apenas participantes desse reino, mas são as peças principais nele. Cristo também declarou que "quem não se fizer como uma criança, de maneira nenhuma entrará no Reino dos céus". Logo, as crianças são o exemplo didático-pedagógico que Jesus deixou para quem quer pertencer ao seu governo  na Terra. No entanto, esquecemo-nos dessa verdade, e, ao invés de acolhermos os pequeninos, os expulsamos de nossos templos e lhes fechamos as portas.

As crianças sempre foram alvos do Inimigo: Na época da publicação do livro de Dan Brewster (2015), ele afirmou que havia,  segundo estimativas,  cerca de um  milhão de crianças por ano que ingressavam para o comércio do sexo. Por outro lado, eu tive a tristeza de testemunhar, há algum tempo atrás, bem próximo a minha casa, em uma escola estadual na qual trabalhei como professora, crianças de 11 e 12 anos, vendidas pela mãe, em troca de uns trocados,  para servirem homens bem maduros de idade. Havia crianças, inclusive, que, ficaram grávidas desses elementos. Se formos pesquisar as diversas violências pelas quais as crianças hodiernas (do nosso tempo) são expostas, veremos que vai de violência doméstica até torturas físicas e psicológicas. 

Brewster afirma que os últimos anos houve um aumento significativo de crianças com transtornos mentais. De acordo com Hugo Monteiro Ferreira, em seu livro "A geração do quarto", uma garota confessou que se cortava, juntamente com outros adolescentes, e depois se reuniam para ver o que mais fariam contra si mesmos. O autor também revela que colheu informações de pais e colegas de adolescentes que se mataram ou que programavam se matar. É "a geração incomodada consigo mesma, com o que dizem sobre ela, com o que ela vê no espelho, que lhe mostra o que não quer ver" - afirma Ferreira. 

 No Antigo Testamente, o diabo já investia contra as crianças: A ordem de Faraó para os  bebês hebreus, no tempo de Moisés; a matança das crianças, ordenada pelo rei Herodes,  no tempo de Jesus; as milhares de crianças sacrificadas a Moloque na época do Antigo Testamento, em diversas culturas do mundo, além de outras atrocidades cometidas contra os pequeninos, conforme observamos nos textos de Jó 24.9; Jl 3.3; Jr 7. 30,31;  32. 35


COMO DEUS VÊ A CRIANÇA

Mt 18.1- 6 - Jesus usa a humildade de uma criança para nos ensinar a ser seus discípulos. Por meio delas ele ensinou:

1) Jesus ensinou aos seus discípulos a serem humildes: V. 4 - a fé de uma criança é simples, não precisa de nada complexo. Jesus quer que tenhamos essa fé. No sermão do monte - Mt 5.5 - Jesus louva a humildade, ao dizer: “Bem-aventurado os humildes, pois deles é o Reino dos céus”; Filipenses 2:5-7 , o apóstolo Paulo nos mostra Cristo como exemplo de humildade, visto que ele se humilhou deixando sua majestade e assumindo a forma de homem. O livro de Marcos mostra Jesus como o Servo Sofredor. Se fosse um adulto que estivesse sendo escorraçado pelos discípulos de Jesus, muito provavelmente, voltariam para casa e,  nunca mais iriam procurar o Mestre, porque, de fato,  somos bastante geniosos. Mas a criança só se importa com o que lhe interessa: elas queriam que Jesus as tocasse, e para elas, os discípulos eram meros obstáculos. 

2) Jesus ensinou aos seus discípulos a não desprezar ninguém:  "Quem recebe as crianças, em meu nome,  me recebe" - v.5. O contrário dessa afirmação seria: "Quem não recebe as crianças, em  meu nome, não me recebe" -  percebe que gravidade há nessa afirmação do Mestre?

Temos o hábito de recebermos calorosamente os adultos em nossas reuniões e menosprezarmos as crianças. Cumprimentamos os pais com um aperto de mão, e nem sequer falamos com os pequeninos que estão ao lado deles, como se fossem invisíveis. Embora pareça que as crianças não se importam com essas atitudes, a verdade é bem outra. Eu mesma, em minha infância e adolescência, quando acompanhava meu pai em visitas às igrejas, ficava muito decepcionada ao ver a recepção calorosa que os irmãos faziam aos adultos, e, ao se reportaram a mim, nem mesmo diziam o meu nome, eu era apresentada como "a Filha do irmão Laerço". Anos mais tarde, tive a mesma experiência com o meu filho, que, na época, era um adolescente. Ao voltarmos para casa, após o término do culto em uma congregação que fomos visitar, ele criticou o fato de ser invisível para o pastor, que citou o nome dos adultos e os recebeu com alegria, enquanto mal notou a presença dele e da prima que estavam conosco naquela mesma visita. Isso é muito triste! Das crianças é o Reino de Deus, disse Jesus. Todavia, em nossas igrejas tudo é voltado para atender as necessidades do público adulto. Que inversão de valores! 

Em Mc 10.13-16, o autor desse Evangelho conta que Jesus se indignou com a atitude dos seus discípulos contra aquelas crianças. Ele se enfureceu mesmo, isto é, Jesus ficou bravo com eles. Então, ele parou tudo: chamou uma criança - movimento contrário aos dos discípulos -  a colocou em seu colo (acolhimento), e, por fim, atendeu ao seu pedido:  pôs as mãos sobre cada uma delas e as abençoou. Jesus mostrou aos adultos que as crianças eram as estrelas principais no seu Reino. Observe, ele fez exatamente o que elas queriam, mostrando o seu valor para Deus.

3) Ele as abençoou, ao invés de enxotá-las: as palavras que falamos pode abençoar ou amaldiçoar uma vida - Provérbios 18:20,21. Os discípulos de Jesus agiram errado, visto que tudo o que falarmos  deve contribuir para edificação de quem ouve, conforme indica Provérbios 10:11  e  Pv 12. 18; Pv 12. 18.

 4) O nome de Deus é firmado por meio das crianças: Sl 8.2 Sl 8.2 - Enquanto queremos adorar a Deus, livres das crianças, a Bíblia revela que é por meio delas que Deus cala o adversário. Lembramos, como exemplo disso, a ousadia de Davi, a quem o valente Golias, pejorativamente, o chama de "menino", para diminuir o seu valor naquela batalha, visto que ele era um simples pastor de campo, enquanto o gigante era um experiente guerreiro filisteu. 

Pregar o Evangelho a toda a criatura: Essa ordem de Jesus também inclui as crianças. Uma das coisas que Spurgeon frisa em seu livro “pescadores de crianças” é que não podemos ter a ideia judaica de que "o nascimento traz consigo a privilégios da aliança”. João Batista, protestou contra esse pensamento ao dizer que, se Deus quisesse, ele poderia fazer nascer  filhos a Abraão até mesmo daquelas pedras. Em seguida, ele exortou ao povo dizendo que os israelitas precisavam se arrepender dos seus pecados para poderem fazer parte do Reino de Deus. Da mesma forma são as nossas crianças, que, mesmo sendo filhos de cristãos,  nascidos no Evangelho, precisam também confessar a Cristo, por meio do arrependimento de seus pecados, tomando a decisão de servi-lo.

Outra coisa muito importante é a observação de Spurgeon ao dizer que pregar a uma criança, não significa que estamos semeando em solo virgem, pois todos já nascemos contaminados pelo pecado. Mas, o coração infantil, é um solo que está mais fértil agora do que estará anos mais tarde, quando for adulto. O que O Príncipe dos Pregadores está dizendo, é que quanto mais ervas daninhas forem semeadas no coração de uma pessoa, mais propensão terá de sufocar a semente do Evangelho.

Criança também peca: No N.T., vemos o apóstolo Paulo dizer a Timóteo que, apesar de jovem, ele conhecia as Sagradas Letras desde a sua infância - 2 Tm 3.15a. Spurgeon observa que o fato de uma pessoa conhecer a Bíblia já é muita coisa, mas ouvir alguém dizer: “desde criança você conhece”,  é outra coisa. A mãe de Timóteo, Eunice e sua vó, Lóide, o educaram muito bem. Assim também vemos exemplos como esse no A.T., como, por exemplo, a criança Samuel, que foi educada pelo sacerdote Eli e se tornou um homem temente a Deus. Todavia, na mesma casa, havia os filhos de Eli, Ofni e Fineias, que, assim como Samuel, acompanhou o seu pai trabalhando para Deus, no entanto, eram jovens sem respeito e sem temor ao Senhor.  Da mesma maneira, vemos um pedindo ajuda para Jesus porque seu filho era atormentado por espíritos imundos - Mc 9.21-27. Dessa feita fica evidente que, assim como Deus pode usar uma criança, elas podem ser usadas pelo nosso Inimigo também. Um outro escritor disse que, quando ganhamos um adulto para Jesus ganhamos apenas metade de uma vida, pois a outra metade o mundo já levou. Mas quando ganhamos uma criança para Jesus, ganhamos uma vida inteira.

DEUS OUVE AS CRIANÇAS: Gn 21. 1-20

Deus ouviu o choro da criança: A pergunta do anjo “o que tens, Agar?”, embora direcionada a ela, o que o anjo de fato perguntava, de acordo com Brewster,  era: “porque a criança está chorando?”  

Dan Brewster chama a nossa atenção para essa afirmação do anjo: “o q aconteceu, Agar?” - ou seja,  “porque o menino tá chorando?”. Ele afirma que essa é a pergunta de Deus para a sua Igreja: “Porque as crianças estão chorando?”

Por outro lado, com essa pergunta, Agar é obrigada confessar sua situação de vulnerabilidade: ela abandonou o filho porque não tinha como ajudá-lo. E essa é a situação de muitas mães e pais, que largam de mão os filhos quando não sabem o que fazer com eles. Porém, nossos pequeninos são responsabilidade nossa, dos pais, em primeiro lugar, e também da Igreja, que tem como ordem socorrer os fracos, órfãos e necessitados - Is 1.17 - e, até mesmo a lei dos homens, entende como abandono de incapaz a falta de proteção dos tutores às crianças que estão sob a sua responsabilidade. Deus não apoia covardes, como veremos mais adiante, e isso ele deixou claro pelas Escrituras, o Senhor quer  para si um povo destemido, que não desiste em meio à dificuldade, visto que temos a Ele, o Deus do Impossível. 

Levanta o menino: Agar estava desesperançada e, provavelmente, fraca devido ao efeito do sol causticante do deserto. Mas o anjo, apesar de vir em socorro do menino, se direciona a ela para lhe dar instruções, e, assim, ordena à mãe para levantar o menino. 

Somos nós, os adultos, que devemos levantar as crianças, e, em especial, nós, a Igreja de Jesus. Levantamos as crianças com palavras de afirmação, com atitudes de acolhimento, suprindo-lhes as necessidades físicas. Há muitas crianças pelo mundo todo chorando, assim também como há crianças em redor de nós que também choram: de fome, frio, medo, por causas das diversas formas de violência contra elas: violência doméstica, sexual, psicológica, contra os direitos humanos, etc. E a Igreja deverá ser agência de misericórdia para socorrer essas crianças, aliás, Jesus disse que "quem fizer tropeçar a um desses pequeninos que creem em mim, melhor seria colocar uma pedra no pescoço e se lançar no mar" - Mt 18.6. Imagina o tamanho do castigo para quem decepcionar uma criancinha que crê em Cristo? E quantas delas têm pavor de igreja porque foram escandalizados pelas atitudes dos cristãos!

Deus não trabalha com covardes: Trabalhar no ministério infantil, principalmente visando o cuidado integral com a criança (espiritual, psicológico e fisico), não é bem difícil e exige coragem. Todavia, para fazermos qualquer coisa para Jesus precisamos ser corajosos. Leia o que diz 2 Tm 1.7,82 Tm 1; Jz 7. 1-3Jz 7. 1-3; Ap 21.8Ap 21.8.  Em nossos dias, poucos valorizam a honra e o poder do sacrifício. Fazemos qualquer coisa, desde que não nos tire do nosso lugar de conforto. Deus não usa ninguém em sua rede de conforto. A primeira coisa que ele faz, é levar a pessoa a se posicionar, a demonstrar disposição para agir. Em   Ezequiel 2, vemos Deus convocar o profeta, iniciando sua conversa com a ordem: "Põe-te em pé e falarei contigo".  Veja também At 26.16At 26.16; Gn 31.13; Gn 35.1, etc.

 DEUS OUVIU O CHORO DO MENINO - v. 17 - Agar também estava chorando, mas o anjo revelou à Agar que Deus ouviu a voz do menino. Apesar de Deus ouvir a voz da criança (dar ouvido), quando ele decidiu socorrê-lo, o anjo foi falar com a mãe e não com a criança: “Qual é o problema? Não tenha medo, ele disse -  Deus ouviu o menino chorar, lá de onde você o deixou”. (Gn 21.17).

O anjo de Deus fala com a mãe e a instrui: 

1) Não tenha medo - v.17: É papel da igreja apoiar e incentivar os que cuidam das crianças. Mães solteiras, mães que vivem em um relacionamento abusivo e tentam proteger seus filhos; obreiros do ministério infantil, etc. As palavras positivas e as ações de apoio são importantes para quem luta pelas crianças. Elas mesmas, muitas vezes, se tornam violentas como meio de se defenderem dos adultos. Precisamos de incentivo por meio de palavras e de ações: envolvimento direto ou indireto. O anjo estava ali para resolver o problema.

Levante o menino - v.18: A criança não tem autonomia, ela precisa do amparo de um adulto. Apoio físico, moral e  espiritual. Muitas crianças são desvalorizadas e até sofrem bullying dentro da própria família. Algumas delas são filhos de pais separados que possuem outra família, e seus irmãos são paparicados, enquanto eles são desprezados. A Igreja precisa levantar essas crianças, e mostrar-lhes que Deus escuta o choro delas e nós somos seus enviados  para levantá-las, espiritual, psicológica e moralmente. -Mt 18.10

Pior é que, ao invés de acolher, a Igreja também tem rejeitado e menosprezado os pequeninos, vendo-os como problema, atrapalho. LEVANTA A CRIANÇA é a ordem de Deus, ao invés de compartilhar com os maus tratos que elas já sofrem.


2º) Tome-o pela mão - v.18: É nosso papel auxiliar os pais a orientarem, conduzirem às crianças no caminho certo - Pv 22.6.   A criança não irá aprender a amar a Deus e a igreja só pelo ensinamento dos pais, mas o exemplo dos cristãos de sua comunidade de fé, bem como sua participação nos trabalhos da igreja e a segurança da comunhão dos santos farão toda a diferença para uma vida firmada no amor de Cristo. Um  certo pastor, que não tinha paciência com a única criança que tinha na igreja, depois de aprender sobre o que Jesus pensa e disse sobre a importância das crianças em seu Reino, passou a chamar o garoto para se sentar ao lado dele no púlpito, e, ao invés de ralhar com ele, passou a defendê-lo, explicando à congregação que é necessário entender que criança não age como adultos. Essa criança passou a amar esse pastor de tal forma que, de repente, ele decidiu que quando crescesse também seria pastor. Esse ministro, com sua atitude de amor e paciência para com esse garoto, conseguiu orientá-lo no caminho que deveria andar, ao invés de jogá-la para fora da igreja, como fazia antes, demonstrando desprazer com a presença do pequeno inquieto.

3º) Deus lhe abriu os olhos e ela viu uma fonte: A Bíblia não diz que Deus fez nascer uma fonte perto da mulher, ela narra que Deus abriu os olhos dela para ver o que já estava lá: a tão desejada fonte. Apesar do anjo estar lá, mostrando a água, Agar teve de ir encher  a vasilha e dar água ao filho moribundo- v.19. Nosso medo do futuro - que não conhecemos - bem como nossa falta de fé em Deus, nos faz ver com detalhes o gigante deserto, e nos cega para achar o oásis, mesmo que estejamos a alguns passos dele. No entanto, apesar de Deus nos mostrar os recursos, nós temos de nos posicionarmos e agirmos em socorro das crianças que esperamos por socorro. Deus ouve o choro dos pequeninos, envia seus agentes para salvá-las (hoje, seus agentes somos nós, a Igreja), nos mostra os recurso e nós temos que ir atrás delas com o auxílio necessário.

 A igreja é o único plano de Deus para a libertação dos povos: Nós somos os representantes legais de Deus na Terra, somos os seus embaixadores, somos a sua boca, as suas mãos e os seus pés. Is 1.10-18.

Que Deus nos dê amor e sabedoria para salvarmos as crianças de hoje, a fim de salvarmos a geração futura.


No amor de Cristo,

Leila Castanha

26/05/2024

 

segunda-feira, 8 de abril de 2024

CRISTO, O TEMA CENTRAL DA BÍBLIA

 

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TEXTO BÍBLICO: Jo 1:43-45

     Desde Gênesis até Apocalipse, a Bíblia apresenta Jesus, na verdade, o objetivo central da Bíblia é revelar Cristo, pois o plano divino sempre foi restaurar a comunhão do homem com Deus, e isso só é possível através de Cristo, visto que esse era o plano de resgate do homem desde antes da própria queda. (leia 1 Pe 1.18-20; Ef 1.4). Em Gênesis 3.15, o plano da salvação por intermédio de Cristo já havia sido revelado, e o apóstolo Paulo confirma o comprimento dessa profecia em Gl 4.4. No texto bíblico acima citado (Jo 1.43-45) observamos que Filipe, ao anunciar a Natanael que havia encontrado Jesus, que era o Messias prometido, ele diz que havia achado "aquele sobre quem Moisés e os profetas escreveram", ou seja, com essas palavras Filipe se referiu a todo o Antigo Testamento, do Pentateuco aos livros dos profetas (Pentateuco são os 5 primeiros livros da Bíblia, escritos por Moisés: Gênesis, Êxodo, Levíticos, Números e Deuteronômio). Em Jo 5:46, o próprio Jesus cita o Pentateuco, mostrando aos seus ouvintes que tudo o que as Escrituras falavam o fim era.

Observação: Ao dizer que Jesus é referido do Gênesis ao Apocalipse, isto é, do início ao final da Bíblia, não significa que a Bíblia está em ordem cronológica: não pensemos que gênesis foi escrito primeiro, depois foi êxodo, etc. Na verdade, a Bíblia foi organizada por assunto, não por data, assim temos os livros do Antigo Testamento agrupados na seguinte ordem: Pentateuco (5 livros de Moisés), história, livros poéticos e os profetas (maiores e menores). Essa designação de "maiores" e "menores" se refere ao tamanho do livro, por exemplo: Isaias faz parte dos profetas maiores, porque seu livro é extenso (66 capítulos), em comparação com Obadias, que faz parte dos profetas menores, porque seu livro é menor do que outros (só tem 1 capítulo). No Novo Testamento acontece a mesma coisa, são organizados por assunto: primeiro vem os Evangelhos (livros que contam desde o nascimento de Jesus até sua volta ao céu), depois vem as epístolas paulinas (as cartas do apóstolo Paulo, a maioria é endereçadas a determinadas igrejas), em seguida as epístolas gerais (cartas de vários autores enviadas para todo o povo de Deus, não tem um destinatário específico), e, por fim, vem o livro da revelação (apocalipse). 

     A encarnação de Jesus foi um episódio muito profundo, embora devido à distância do tempo pareça algo tão simples: quando Cristo aceitou nascer como um ser humano, como qualquer pessoa humana, isso exigiu dele uma humildade extrema, o apóstolo Paulo diz que ele se "esvaziou a si mesmo", isto é, ele trocou tudo o que ele era (poderoso, imortal, glorioso etc.) pelo nada que são os seres humanos (fracos, limitado, sentimentos instáveis, etc.). Entenda isso: Jesus era o próprio Deus se despindo de todo o seu poder  e autossuficiência e se entregando, sem qualquer defesa, nas mãos de suas próprias criaturas (leia Fp 2.7). 

     Phillip Yancey, em seu livro "Decepcionado com Deus", ao tratar do grande sacrifício que Jesus realizou ao se encarnar (tornar-se carne, humano), relata que outro autor, C. S. Lewis, comparou a encarnação de Cristo à transformação de um humano em uma lesma (tão baixo ele desceu para se fazer um de nós). Já o próprio Yancey pondera que ao assumir a forma humana, Cristo precisou vir ao mundo como um bebê recém-nascido, totalmente dependente, frágil e sem controle de si mesmo. Era Deus nas mãos dos homens (inimaginável isso, não é?). E, ainda mais inimaginável é o pouco valor que damos a esse tremendo ato de amor, de um Deus que, desde o princípio, fez questão de suas criaturas.

     Phillip Yancey ainda pontua que a encarnação de Cristo deu a ele e a nós, seres humanos, a oportunidade de manter um relacionamento próximo e direto com a divindade, coisa que, antes desse acontecimento não era possível devido à glória de Deus , que impossibilitava qualquer contato do divino com o humano (veja como o povo sentia medo da glória de Deus: Ex. 20. 18, 19; o próprio Moisés  sentiu medo - Ex 3. 6). O autor observa que quando um ser divino se manifestava ao homem (fosse anjo ou o próprio Deus), ao invés, de saudar a pessoa com um "bom dia", "boa tarde", "shalom", ou qualquer saudação da época e do lugar, ele já chegava dizendo: "Não tenha medo". Daniel, quando recebeu a visita de Gabriel,  anjo mensageiro de Deus, ficou tão apavorado que suas pernas ficaram tremendo; ele narra que seus joelhos batiam um no outro, e olha que o anjo já chegou dizendo para ele não ter medo (leia Dn 8. 18; Dn 10. 9-12).

Observação: *Cristofania é um termo técnico da teologia cristã utilizado para designar as aparições de Cristo pé-encarnado ocorridas no Antigo Testamento). 

Observação 2: Ao ser encarnado, Jesus recebeu esse nome porque significa Salvador, para se referir a sua missão no mundo. 

     Quando dizemos que Jesus é o tema central da Bíblia, isso significa que ele não somente foi profetizado e referido desde o Antigo Testamento, mas ele apareceu em toda a história. A Bíblia apresenta uma trindade (três pessoas que vivem em unidade, isto é, não vivem em prol de si mesmas e de seus poderes, mas são intrinsicamente ligados, são eles: o Pai, o Filho - Jesus - e o Espírito Santo). Embora a palavra trindade não se encontre na Bíblia, a distinção entre eles é notória (leia Mt 3.16,17;   Mt 28. 19). Na criação, a Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) agiram juntos, observe que o verbo está no plural "façamos", isto significa que havia mais de um ser fazendo o homem, além disso, na língua original em que essa passagem foi escrita, o hebraico, onde lemos Deus, está Elohim, esse termo se refere ao plural. Se fosse só uma pessoa seria Elohá, que é a forma singular de Deus (Leia Gn 1. 26). O mesmo aconteceu na confusão das línguas, na torre de Babel (Gn 11.7).

     Jesus estava com Deus (o Pai) antes que o mundo existisse (Jo 11.7). No texto a seguir, além de mostrar que Jesus já habitava com Deus, antes de tudo, e foi ele que fez tudo, e que tudo é para ele, João evidencia que, apesar de Cristo ter nascido ser seis meses depois dele (ou seja, como humano, Jesus era  mais novo do que João). pois Maria ficou grávida quando Isabel já estava de seis meses, mas, para evidencia que antes de ser encarnado Jesus já existia, por isso ao falar sobre Cristo revelou que João, na verdade, Jesus veio antes dele, visto que ele era eterno  (Lc 1.36; Jo 1.1,2,3,18,26,27). 

JESUS APARECEU EM VÁRIOS MOMENTOS NO ANTIGO TESTAMENTO

     Jesus havia aparecido para algumas pessoas no Antigo Testamento. Há duas nomenclaturas que aparecem no Antigo Testamento que se refere a Jesus, além de outras: Eu Sou  e O anjo do Senhor. Além dessas, podemos identificá-los por atributos próprios dele, ou seja, de acordo com o que as profecias falam sobre ele.  O próprio Jesus havia dito que "antes de Abraão Eu Sou" (Jo 8.58). Observamos que ele se apresenta da mesma maneira em alguns episódios no Antigo Testamento, como, por exemplo, quando Moisés pergunta como dirá a Faraó quem o enviou, o Senhor lhe disse para dizê-lo "Eu Sou me enviou a vocês"- Ex. 3.14. Ele também afirmou que quando o crucificassem "vocês descobrirão que EU SOU" (Jo 8.28).

     O Anjo do Senhor também é outro nome dado a Jesus - Atenção: para se referir a Cristo, o artigo deverá ser definido (o), quando aparece como um anjo do Senhor - artigo indefinido (um) - se refere a anjos, de fato. Outra evidência também é que um anjo comum (serafins, arcanjos, etc.) não podem receber adoração, somente Deus pode.  Veja o que Jesus respondeu ao diabo (um anjo caído) quando ele sugeriu que Jesus o adorasse (leia Mt 4.10). No entanto, quando lhe adoravam, ele não repreendia, mas aceitava a adoração, visto que ele é Deus - (leia Mt 8.1-3; Jo 9.38; Mc 2.7). Quando João recebeu a revelação descrita no livro de Apocalipse, ele ajoelhou-se para adorar o anjo que lhe revelara aquelas coisas, mas o ser angelical o repreendeu (leia Ap 22. 8,9). Todavia, Jesus aceitou adoração de todos e aA Bíblia revela que ele é Deus, por isso pode ser adorado (leia Is 9.6 "Deus Forte"; João 1.1- "o verbo era Deus"; Hb 1.8 - "ó Deus"). 

     Algumas aparições de Jesus no Antigo Testamento: Leia - Jz 13.18  (conversou com o pai de Sansão - "Maravilhoso" é um termo messiânico - Is 9,6). Socorreu Agar e seu filho Ismael no deserto (Gn 16. 7,14 ). Impediu Abraão de matar Isaque (Gn 22.11,12). Encontrou-se com Jacó, primeiro em sonho (Gn 28. 11-19), depois apareceu a ele, revelando que era ele quem lhe fez promessas em Betel  (Gn 31. 11-13). Apareceu a Moisés na sarça ardente - sarça ardente significa, mato que pegava fogo, mas não ficava queimado - (Ex 3. 1-6). Apareceu a Josué - apresentou-se como "príncipe do exército do Senhor", isto é, o comandante do exército celestial - no entanto, não era um anjo qualquer porque aceitou ser adorado por Josué, além de que a mensagem que deu a ele foi a mesma que deu a Moisés (leia Jz 2.1-5). Apareceu a Gideão para animá-lo (Jz 6. 11-14). Há mais textos velho testamentários que mostram Jesus agindo no Antigo Testamento, mas ficaremos por aqui a fim de não estendermos mais o texto.

     Que o Espírito Santo nos faça enxergar os mistérios revelados sobre a encarnação de Cristo para valorizar esse grande sacrifício do Filho de Deus, que por amor a nós desceu ao mais baixo estado, de criador a forma e vida de criatura, e ainda foi rejeitado pelos seres que criou, por fim ainda morreu uma morte vergonhosa, visto que a cruz era castigo para os piores criminosos. Oro para que o Santo Espírito nos faça reconhecer o amor de Deus em Cristo e seu sacrifício a fim de reconciliar consigo o mundo.

     Jesus sempre esteve presente na história humana com aqueles que serviam a Deus de coração, e antes de voltar ao céu ele deixou duas promessas que se resume em uma: "Vou, mas enviarei outro Consolador, o Espírito Santo para estar convosco" e "Estarei convosco todos os dias". Por meio do seu Espírito, que habita em nós e trabalha nos lembrando tudo o que Jesus ensinou, o próprio Cristo está presente conosco. 

Que lindo mistério é a Trindade: Jesus veio falar o que o Pai mandou e o Espírito Santo vem lembrar a igreja tudo o que Jesus ensinou da parte do Pai. Que união e harmonia! Que aprendamos a sermos um assim como eles são um (Jo 17. 20, 21) .

Que o amor de Deus em Cristo Jesus, arda em nossos corações

No amor de Cristo,

Leila Castanha

07/09/2024


BIBLIOGRAFIA

Bíblia Sagrada, NVI

Decepcionado com Deus - Phillip Yancey

Revista Maturidade Cristã,, lição 4 - 1991, 2º trimestre - CPAD

*Cristofania – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)


domingo, 31 de março de 2024

A BÍBLIA, O MANUAL DE MISSÕES

 

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TEXTO BÍBLICO: Mc 16.15

Quando falamos de missões, estamos nos referindo à pregação do Evangelho. A palavra EVANGELHO significa "boa nova, boa notícia ou boa mensagem". No entanto, por que a Igreja tem essa incumbência?

De acordo com Rm 10.13,24, as pessoas não poderão crer em quem nunca ouviram falar, também não poderão ouvir se ninguém for falar a elas. Pensando nisso, Jesus deu essa missão ao seu povo, isto é, cada um que for alcançado pelo evangelho deve levá-lo adiante.

Em Rm 10.14-17, Jesus diz que através da Palavra de Deus as pessoas crerão nele. Daí já entendemos que a mensagem que devemos pregar é a que ele ensinou em sua Palavra. No versículo 17, o apóstolo Paulo torna a dizer que a fé vem pelo ouvir, através da Palavra de Deus.

Uma vez que já entendemos que devemos pregar o evangelho para que as pessoas creiam em Jesus, no versículo 16 do texto acima, Paulo também não esconde que nem todos crerão na mensagem que anunciamos, mas isso não deve ser desculpa para não se pregar, porque os que crerem, só crerão se ouvirem o evangelho. O apóstolo Paulo disse que se fez tudo para todos, para de todo modo conseguir salvar alguns (1 Co 9.22). Esses alguns importa para Deus. Então, o que é de fato o evangelho, o que é essa boa notícia que Jesus nos mandou pregar?

Em 2 Co 5.17-20, o apóstolo Paulo afirma que essa mensagem a ser pregada é a mensagem de reconciliação, ou seja, que Deus em Cristo está reconciliando consigo o mundo. Reconciliar é fazer as pazes. Quando um casal briga e decide se reconciliar, isto significa que ambos resolveram fazer as pazes. Além disso, Paulo esclarece que nós, a Igreja,  somos os embaixadores de Deus ao mundo, ele "pôs em nós o ministério da reconciliação" (v.19 - grifo meu). Esse é o ministério (o serviço) do qual Deus nos incumbiu. Desse modo, podemos resumir o que observamos até agora da seguinte maneira: as pessoas precisam ouvir o evangelho para poder crer,  nós somos os mensageiros enviados por Deus para lhes flar as boas novas, e o evangelho, essa boa nova, é a mensagem de Deus convidando o mundo para ser reconciliado com ele, ou seja, Deus está com uma bandeira branca e deseja que todos voltem a ter paz com ele, isto é, ele está pronto para nos receber de volta.

O EVANGELHO É CRISTOCÊNTRICO: Atualmente, é comum vermos nas igrejas uma preocupação muito grande com o conforto e a aceitação das pessoas em relação à liturgia do culto e toda a sua programação. Tememos magoar alguém, mesmo sem intenção, porque isso pode fazer com a pessoa magoada nunca mais retorne à igreja. Isso indica que estamos vivendo um evangelho antropocêntrico (o homem é o centro), quando, na verdade, o evangelho encontrado na Bíblia é cristocêntrico (Cristo é o centro). Há igrejas que ao separar alguém para o  ministério, fazem isso de acordo com o grau de amizade que possui com o candidato e o próprio ministério (igreja) passa de pai para filho, como se a igreja fosse uma empresa e a autoridade eclesiástica fosse por hierarquia. Não era assim na igreja primitiva: At 13.2,3 nos mostra que quem separava para a obra era o próprio Espírito Santo. A Igreja orava e jejuava e depois esperava o Senhor escolher.

Conta-se a história de um pastor que orava para Jesus levantar para o ministério de sua igreja um diácono e um porteiro. O pastor estava de olho em duas pessoas que eram exemplos na fé: um era banqueiro e o outro era um verdureiro. Apresentou-os a Jesus em oração e o Espírito Santo lhe disse: "Coloca o verdureiro como diácono e o banqueiro como porteiro". O pastor relutou, acreditando que o banqueiro não aceitaria a proposta devido ao cargo, a seu ver, ser muito humilde. Porém, obedecendo à ordem do Espírito, convidou os irmãos, conforme fora instruído em oração. Ambos ficaram muito felizes pelos cargos que lhes fora confiado. O verdureiro passou a servir dentro da igreja com muita alegria e o banqueiro trabalhava na porta com muito gosto. O templo começou a encher, e, após especularem sobre o motivo, o pastor descobriu que quando as pessoas passavam na rua e viam o banqueiro na porta, entravam na igreja porque pensavam: "Se o porteiro é um banqueiro, quem será que está no púlpito?". A igreja cristocêntrica é assim, deixa Deus agir em sua sabedoria.

O EVANGELHO DE CRISTO NÃO É POR CONVENIÊNCIA

 O pastor argentino Juan Carlos Ortiz diz, em seu livro "O discípulos",  que muitos cristãos têm pregado o 5º evangelho, o qual ele denomina de "Evangelho Segundo os Santos Evangélicos", ou seja, um evangelho por conveniência. De acordo com sua análise, pregamos textos, como Mt 11.28-30, evidenciando o versículo 28 - "Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos e vos aliviarei" - todavia, negligenciando o restante do texto - "Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração. E encontrareis descanso para as vossas almas".

Quando a pessoa aceita Jesus, crendo Nele por meio de um evangelho pregado pela metade, ela tende a não permanecer na fé. Se dissermos a elas que vindo a Cristo ele as aliviará e acabará com toda opressão e cansaço que atormentem a sua, e, após aceitarem Cristo, tudo continua igual, a impressão que essas pessoas terão é de que fizemos propaganda enganosa. E nesse caso é enganosa mesmo, pois, de acordo com Jesus, o descanso para a alma será encontrado somente após ele tomar a direção da vida da pessoa e ela aprender com ele a ser mansa e humilde.  Pessoas sem autocontrole não podem ser controladas pelo Espírito Santo, e pessoas arrogantes querem o tempo todo tomar o lugar de Deus, e por isso precisam aprendem primeiro com Cristo, pois a glória divina, ele dá a ninguém (Is 42.8)

Certo dia passei por uma igreja que tinha uma grande faixa dizendo: "Pare de sofrer! Jesus quer mudar a tua história". Embora a mensagem pareça muito bíblica e, sem dúvida, possui um apelo humanitário, ela não está representando a mensagem do Evangelho de Jesus. Em Jo 6.33, Jesus não isenta os seus servos de sofrimento, pelo contrário, ele disse "no mundo tereis aflições". Não há brecha para se achar qualquer outra coisa além do que foi dito, o verbo está no indicativo (expressa certeza).  

Outro versículo muito comumente pregado nos cultos de evangelização é Fp 4.13 - "Posso todas as coisas naquele que me fortalece" - há quem pregue que o que você quiser conseguirá através de Cristo. Esse não é o Evangelho que a Bíblia prega, e nem o que o versículo citado expressa. Se lermos os versículos anteriores, isto é, versículos 10-14, veremos que o apóstolo Paulo está dizendo que aprendeu estar feliz em toda e qualquer circunstância, na fartura e na necessidade, na abundância e quando passa fome, ser honrado e ser desprezado, etc. Ele diz isso porque inicia sua carta agradecendo os irmãos de Filipos (os filipenses) pelo cuidado que tiveram para com ele (lembre-se que Paulo estava preso), no entanto, ele diz que embora seja grato, ele não depende dessa honra, pois ele aprendeu ficar bem, ser feliz em qualquer circunstância da vida, pois quem o fortalece é Deus. Essa é a mensagem do apóstolo Paulo e não a que ouvimos por aí e alguns saem divulgando como sendo o que a Bíblia diz.

O pastor Juan Carlos Ortiz, a quem já me referi acima, diz que há pessoas que aceitam a Jesus como uma garotinha que recebe um pão com geleia: come toda a geleia do pão e depois joga o pão fora. Essas pessoas são aquelas que aceitam Jesus por causa das bênçãos, de tudo o que ele pode lhes dar, mas quanto a Cristo, o pão vivo que desceu do céu (Jo 6.51), elas rejeitam. É por isso que há nas igrejas muitos crentes anêmicos espirituais, subnutridos, porque se alimentam de coisas passageiras (milagres, prosperidade financeira, etc.). Jesus disse que quem se alimenta dele (não do que ele dá), viverá eternamente. Estamos cheios de igrejas repletas de mortos espirituais, pois seus membros não têm prazer na Palavra de Deus, e Jesus já havia declarado que a Palavra que Deus enviou ao mundo é vida (Jo 12.50), e quem liberta o homem de toda opressão é a Palavra de Deus (Jo 8.32), é ela que santifica (Jo 17.17). Quando ficamos facilitando as coisas para as pessoas virem a Jesus, estamos demonstrando com isso que não conhecemos o manual de missões. a Bíblia Sagrada. Paulo diz, em Rm 1,16, que não se envergonha do evangelho de Cristo, "porque é o poder de Deus para SALVAÇÃO de todo aquele que crê". Não há coisa mais poderosa para salvar as pessoas e trazê-las para Deus do que a mensagem que o próprio Deus deixou para elas, isto é, o EVANGELHO. 

Quando o povo veio do cativeiro babilônico, Esdras começou a levá-los de volta para Deus, por meio da leitura diária da Palavra (7 dias consecutivos). Ele lia e explicava o texto para os homens, mulheres, crianças e todo o povo que tinha condição de entender. O período dessa aula era desde o início da manhã até o meio-dia. Esdras não se preocupou que as pessoas ficariam cansadas, ele só se lembrava de que sem Deus eles estariam perdidos. E, contrário alguns de nós pensariam hoje, o povo estava ATENTO à Palavra de Deus. Decerto, o cativeiro com todas as dificuldades que aquele povo enfrentou fez com que se voltassem de coração para as leis de Deus, pois na direção dele o povo estava seguro. Por isso, muitas vezes Deus permite que a Igreja seja perseguida e passe por momentos de muita dificuldade para ela poder se voltar para ele. Igrejas que tem o homem como centro, tira o Senhor do meio dela, e, por amor aos seus, muitas vezes Deus pesa a sua mão. Voltemos enquanto é tempo a dar ouvidos à Palavra do nosso Mestre, pois o Espírito Santo zela pelas coisas de Deus e ele tem ciúmes da Igreja  (Tg 4.5) e "dura coisa é cair nas mãos do Deus Vivo" - Hb 10.31

Vi uma frase que dizia: "Deus não é aspirina para a hora da dor" (aspirina serve como analgésico, assim como a dipirona e o paracetamol), e muita gente vem para a igreja procurando alívio para a sua dor, mas não procurando Deus. Deus está disposto a reconciliar o mundo consigo, por meio do seu Filho Jesus Cristo que pagou o nosso preço com seu sangue. No entanto, fazer as pazes conosco não significa que ele vai nos servir. Bem pelo contrário, ele vem nos reconciliar para começarmos do zero, assim como era no princípio, quando ele andava com o primeiro casal no jardim - Gn 3.8. O apóstolo Paulo explicou aos crentes da Galácia(os gálatas) que ao aceitar Jesus como seu Senhor e Salvador, agora ele morreu com Cristo ("estou crucificado com Cristo"); e agora eu não vivo mais, mas Cristo vive em mim. 

O Novo Testamento tem esse nome porque, através de Cristo, Deus firmou um testamento, um pacto, uma aliança com o mundo. Esse testamento é selado com o sangue de Jesus. Ele diz respeito ao novo acordo de paz entre Deus e o mundo (no Antigo Testamento seu acordo era com os judeus apenas, agora é com o mundo). E que acordo é esse? O acordo é o seguinte: Deus, por meio de seu Filho que se sacrificou pela humanidade, está com a bandeira branca hasteada, convidando a todas as pessoas a aceitarem o acordo de paz entre ele e nós. E esse acordo vem com um brinde: por causa do sangue que Jesus derramou por nós, entramos nesse acordo com o direito de sermos adotados como seus filhos.

É lindo esse plano magnífico de reconciliação! E as palavras de Paulo em 2 Co 5.17-20, despertando os  irmão de Corinto para fazerem a missão pela qual Jesus comissionou  sua Igreja foram as seguintes: "Somos embaixadores de Cristo, como se Deus tivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio. Por amor a Cristo lhes suplicamos: Reconciliem-se com Deus". (versão NVI).  Ou seja, nosso papel como embaixadores de Cristo ao mundo é dizer a todos que Deus está pronto para se reconciliar com todos, e quem aceitar a sua proposta, deverá fazer um pacto de compromisso com o seu Filho Jesus, e então esse acordo será validado, pois o sangue de Cristo foi o preço pago por essa nova aliança entre Deus e o mundo.   

Um abraço!

No amor de Cristo,

Leila Castanha

31/03/2024

terça-feira, 19 de março de 2024

COMO ESTUDAR A BÍBLIA

  

https://deusteabencoe.com.br

TÍTULO: Como estudar a Bíblia

TEXTO BÍBLICO: Jo 17.13-17

  Emmet Fox, um ministro do Evangelho, em seu livro “O sermão da montanha” afirma que o estudo da Bíblia é comparado a procura por diamantes na África do Sul. Quando as pessoas encontram um pouco da pedra preciosa misturada no barro, elas ficam muito felizes pelo achado. Porém, os mais experientes, procuram cavar mais fundo, onde o barro muda de cor, de amarelo para azul, e nesse ponto a quantidade de diamantes encontrados por dia equivale a um ano de trabalho de quem só cava mais superficialmente. O autor diz que quando alguém chega à profundidade, o que dantes havia encontrado no barro amarelo perde o valor, comparado ao que encontra-se em escavações mais profundas.

  Assim também, argumenta Fox, não devemos nos contentar com as poucas verdades que encontramos no barro amarelo de nossa leitura da Bíblia, mas escave mais fundo até chegar a rica argila azul.

Tendo isso em mente, vamos prosseguir com a nossa reflexão sobre o tema estudado.

COMO ESTUDAR A BÍBLIA?

  1) Procurando se aprofundar em seu conteúdo: ler com vontade de conhecê-la e ao seu autor, e não por obrigação ou com preguiça. É certo que, inicialmente, e muito raramente, alguém já comece a ler a Bíblia “escavando-a mais profundamente”, porém o que não deve acontecer é o cristão se conformar em fazer leituras superficiais, pois, desse modo, não haverá crescimento espiritual. A Bíblia é o meio no qual Deus fala com o homem, e, quanto mais ouvimos alguém falar mais aprendemos dele e sobre ele.

  2) Sabendo que é um meio que Deus arquitetou para se comunicar com suas criaturas e com os seus filhos. Deus sempre se comunicou com os seus servos, conforme veremos a seguir:

  1º) No início, Deus andava com os homens - Gn 3.8;

  2º) Deus ordenou a Moisés que orientasse a seu povo (Israel) que falasse dele aos seus filhos;

  3º) Ele ordenou a Moisés que escrevesse para memorial do povo - Ex 17.11;

  4º) Por fim, Deus enviou seu Filho, Jesus, agora, por meio dele o próprio Deus voltou a andar no meio do povo. Jesus é chamado de Emanuel - Deus conosco (Is 7.14).

  3) Compreendendo que ela é a Palavra de Deus - 1Ts 2.13: a Bíblia não é um livro qualquer. Ela é o Livro de Deus, inspirado pelo Espírito Santo com a finalidade de fazer o ser humano conhecer Deus, a fim de se aproximar dele.

  Deus nunca se afastou do homem (ser humano), foi o homem que se afastou dele por meio da prática do pecado. A palavra pecado significa errar o alvo, isto faz sentido porque pecamos quando nossas práticas se distanciam daquilo que Deus nos ordena. Assim, ao invés de nos chegarmos a Ele, nossa desobediência nos afasta Dele.

 Perceba que Deus não se moveu, fomos nós que, ao desobedecermos suas leis, nos afastamos dele, ou seja, erramos o alvo, que é Cristo e passamos a fazer a vontade de seu Inimigo (o diabo). Em Is 59.1,2, Isaías diz ao povo que foram os seus pecados que fizeram separação entre eles e Deus; Isaías 1.12-18, Deus diz ao povo que as reuniões deles, que seriam para honrá-lo, na verdade, só estava o cansando. E  por que isso? Deus responde que é porque o povo não está fazendo o que e como ele pediu, mas cada um faz o que bem quer e isto os está afastando dele, de modo que ele não pode siquer ouvir suas orações. Perceba que mais uma vez é o povo que se separa de Deus por escolherem desobedecê-lo, e não Deus que se separa dele.

  Isaias 50.1,7, Deus usa a analogia do divórcio para fazer seu povo entender que não é ele está se separando deles, mas são eles que se separaram do Senhor. No versículo 2, ele faz o povo refletir em sua fidelidade, perguntando-lhes: “Por que eu vim e ninguém apareceu? E porque chamei e ninguém respondeu?” Ou seja, Deus está mostrando por meio dessa alegoria que ele vive tentando fazer as pazes com o seu povo, mas o pecado não permite que eles ouçam a sua voz, nem deixa que se voltem para ele. Em Isaías 58. 2-10, Deus responde a pergunta do povo sobre o porquê ele não atende seus jejuns e porque não os tem ajudado em suas aflições, dizendo-lhes que é porque eles estão pervertendo as leis de Deus. Apesar de fazer o que ele tinha mandado, fazem da maneira errada, por exemplo, jejuavam e depois brigavam entre eles. Em outras palavras, Deus estava lhes dizendo que os pecados deles o afastavam da sua presença.

  O povo de Israel agia para com Deus como a história narrada por Spugeon (um servo de Deus conhecido como príncipe dos pregadores): ele conta que um chefe árabe do Cairo (capital do Egito), estava muito doente e um missionário receitou-lhe um remédio. Uma semana depois, o missionário encontrou o homem do mesmo jeito. Estranhando porque o chefe não havia melhorado, já que ele sabia da eficácia do medicamento, perguntou-lhe o seguinte: “Você não tomou a minha prescrição?”. O chefe respondeu-lhe: “Sim. Eu comi cada pedacinho do papel”.

  Spurgeon nos leva a refletir por meio dessa história, dizendo aos seus leitores que muitos cristãos leem a Bíblia e acham que só em conhecer o que está prescrito nela é o suficiente para a cura de sua alma. O em si (o local da prescrição) não tem qualquer valor de cura espiritual, mas é o que está prescrito nele, a mensagem que ele traz, quando ingerida por nós, pela fé, que produz o efeito de cura interior. E, por não saber dessa verdade, há cristãos que abrem a Bíblia (o livro, a receita de Deus) no Sl 91 ou em outro texto que fala da proteção divina, e a expõe aberta sobre  um móvel, acreditando que isso trará a presença de Deus para a sua casa.

  Um irmão contou que foi com um grupo de pessoas expulsar um demônio de uma pessoa, e um dos crentes abriu a Bíblia no Sl 91 e começou a ordenar que o espírito imundo saísse em nome de Jesus. No entanto, ao invés de se retirar, o jovem, possesso, rasgou as folhas da Bíblia e as engoliu. Demônios não temem o Livro, eles temem é a mensagem do Livro Santo, quando ela é degustada pelo cristão, pois assim faz efeito nele, dando-lhe força, dando-lhe poder contra eles.

  4) Tendo consciência que ela nos esclarece, nos abre os olhos para as verdades espirituais: 1Co 2.14 diz que “o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. (grifo meu). Em 1Co 1.18, o apóstolo Paulo diz que “ a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos é o poder de Deus”. Subetende-se que a Palavra de Deus esclarece, pois nenhum outro livro pode nos revelar acerca de Deus a não ser a Bíblia.

  Lucas conta (24.29-35) que dois discípulos estavam voltando de Jerusalém para suas casas em Emaús. Eles estavam muito tristes e decepcionados, porque, junto com os demais discípulos de Jesus, estavam eufóricos esperando vê-lo ressuscitado e já havia escurecido e nada aconteceu. Quando estavam no caminho de volta para casa, um viajante se aproximou deles e puxou conversa. Eles, logo, contaram o que lhes havia acontecido e disseram-lhe que por isso estavam tristes. O viajante, que era Jesus, começou a animá-los perguntando-lhes se eles haviam esquecido o que a Bíblia falava sobre Cristo (mas ele não se identificou, falava como se fosse um homem comum refletindo sobre o assunto). Como estava muito tarde e a estrada era perigosa, eles convenceram Jesus a ficar com eles (Jesus fingiu que ia passar direto, mas esse já era seu propósito). Em casa, serviram-lhe pão e, antes de comer, partiu o pão e orou ao Pai, agradecendo-lhe. Ao fazer isso, eles se lembraram de que Jesus fez a mesma coisa do mesmo jeito e, é claro, a sua voz era igualzinha. Então, lembraram-se também que, apesar da tristeza, enquanto o viajante conversava com eles, seus corações ardiam. Ao reconhecerem que era Cristo, o Senhor desapareceu.

  Essa narrativa nos traz algumas reflexões, dentre as quais, aprendemos que quando temos o entendimento de que Jesus está conosco, não precisamos mais de vê-lo. O apóstolo Paulo confirma esse pensamento ao dizer que “vivemos por fé, não por vista”. A fé é o firme fundamento (é a base sólida) das coisas que esperam, e a prova (certeza) das coisas que não se veem. Quando conhecemos ou reconhecemos a presença de Deus, não precisamos mais dos nossos sentidos naturais, pois a sua presença é sentida por fé.

  O apóstolo Luiz Hermínio, em uma de suas pregações, relatou que há pessoas que saem tristes do culto porque, segundo elas, não sentiram a presença de Deus. No entanto,segundo o apóstolo, deveria ser suficiente para o cristão crer nas palavras de Jesus, em Mt 28.20,  a qual o Senhor afirma que estará conosco todos os dias. O Cristão não tem que sentir nada, ele tem que crer. Ele não tem que confiar em seus instintos naturais, mas ele precisa confiar cem por cento na Palavra de Deus.

 Quando estudamos a Bíblia os nossos olhos espirituais se abrem, e, embora não enxerguemos um palmo a frente do nosso nariz, nos firmamos nas promessas de Deus que não falham, e, nos acalmamos, porque conhecemos a voz do nosso Pastor. Leia Jo 10.27

 Assim aconteceu com os dois discípulos de Emaús, após reconhecerem a voz do Bom Pastor, voltaram para Jerusalém para contar aos outros que haviam tido um encontro com Cristo, e, como salientou o pr Ricardo Gondim, agora já era muito mais tarde, porém eles já não tinham mais medo.

  Porque isso outra coisa que acontece quando estudamos a Bíblia, Deus tira de nós o espírito de covardia e nos dá o espírito de ousadia. Mas isso é tema para outra lição.

No amor de Cristo,

Leila Castanha

17/03/2024

 

Bibliografia:

Bíblia Sagrada

Diante da porta estreita - Charles Spurgeon

O sermão da montanha - Emmet Fox

Vivendo em triunfo - Ricardo Gondim