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terça-feira, 26 de março de 2013

O PODER DO NOME DE JESUS

extraído de https://i.pinimg.com

“E estes sinais seguirão aos que crerem: em meu nome, expulsarão os demônios; falarão  novas línguas; pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e imporão as mãos sobre os enfermos e os curarão.” (Mc 16.17)
Na lição anterior observamos baseados na Palavra de Deus, a função do sangue de Jesus e agora veremos as funções do nome de Cristo. Neste versículo citado acima observamos cinco poderes conferidos ao nome de Jesus, os quais são respectivamente:
A)   Expulsar demônios;
B)   Falar novas línguas;
C)   Pegar nas serpentes;
D)   Não sofrer dano algum diante de uma situação de morte;
E)   Curar enfermos
. Nesta lição, no entanto, nos deteremos apenas no primeiro tópico, isto é, analisaremos o poder do nome de Jesus para expulsar demônios. Na realidade, existe grande confusão por parte de alguns cristãos quanto a estas duas fontes de poder: o Sangue e o Nome de Jesus. E por isso alguns irmãos expelem demônios clamando pelo Sangue de Cristo, quando na verdade, o Sangue de Jesus tem outra função bem diferente, as quais já foram comentadas na aula intitulada “O Poder do Sangue de Jesus”.
É muito comum observamos na televisão ou até mesmo nas igrejas, cristãos expulsando espíritos malignos usando a seguinte expressão: “O sangue de Jesus tem poder!”. Outros, aterrorizados com a manifestação desses espíritos, gritam para amedrontá-los: “Jesus, me cobre com o teu sangue!”. Na realidade, Deus é misericordioso com a nossa ignorância e permite que o diabo  obedeça a nossa ordem, porém, o próprio Jesus advertiu aos que confundiam as orientações divinas por não conhecerem a Bíblia: “Errais não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus.” (Mt 22.29).
Segundo a Palavra de Deus, o sangue de Jesus tem poder salvífico, ou seja, sua função é purificar o pecador a fim de salvá-lo da condenação eterna. Como arma para expelir demônios, Jesus ensinou a seus discípulos que deveriam utilizar o poder do seu Nome.
Para melhor compreendermos, veremos a seguir textos bíblicos onde  esta verdade se fundamenta. O primeiro texto já foi exposto acima (Mc 16.17), o qual transcreve o ensinamento de Cristo aos seus discípulos, dizendo-lhes: “Em meu nome, expulsarão demônios” (v 17) (itálico meu).
Mateus, também, narra um dos ensinamentos de Jesus, no qual Ele diz que expulsar demônios não é ingresso para ninguém ser salvo. Para explicar que o poder de seu nome não deve ser usado como meio de salvação Jesus disse aos que assim pensavam: “Muitos dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? (...)” (Mt 7.22). (itálicos meus)
Aqui podemos observar, dentre outras lições, que todos os que expulsavam demônios entendiam que deviam fazê-lo “Em nome de Jesus”.
No texto de Marcos (17.16), assim como em todos os outros que citarei, não encontramos nenhuma referência do poder do nome de Jesus para a salvação. O poder do seu nome é para outras coisas, como por exemplo, curar enfermos e expelir demônios. (Leia o texto “O Poder do Sangue de Jesus” e você entenderá que o sangue de Cristo tem poder exclusivo para a salvação de todo aquele que crer).
Observamos em 1 Jo1.7 que o apóstolo São João diz que o poder do sangue de Jesus é para nos purificar de todo o pecado. Mas Lucas, em Atos 16.18,  nos mostra que o nome de Jesus é  a arma que devemos utilizar para expulsar demônios e não o sangue de Cristo. Vamos observar a sua narrativa sobre como o apóstolo Paulo expeliu um espírito maligno de uma adivinha:
“E aconteceu que, indo nós à oração, nos saiu ao encontro uma jovem que tinha espírito de adivinhação, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores, esta, seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo. E isto fez ela por muitos dias. Mas Paulo, perturbado, voltou-se e disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela. E, na mesma hora saiu.” (grifo meu)
Outro discípulo, que não andava com os discípulos de Jesus, também aprendeu que para expulsar demônios, deveria usar o poder do nome de Cristo. Entendemos isto ao lermos a passagem de Lc 9.49,50, que relata o seguinte:
E, respondendo João, disse: “Mestre, vimos um que em teu nome expulsava os demônios, e lho proibimos, porque não te segue conosco, E Jesus lhes disse: Não o proibais, porque quem não é contra nós é por nós.” (grifo meu)
Percebeu a preocupação dos discípulos? Não era o modo como o homem expulsava demônios, mas porque não andava junto com eles. E na resposta de Cristo não vemos nenhuma crítica quanto ao uso de seu nome para expelir o espírito maligno, ao contrário, Jesus o apoiou dizendo aos seus discípulos para não proibi-lo.
Lucas, narra outro episódio, no qual o apóstolo Paulo, em uma de suas missões havia expulsado demônios e feito muitas maravilhas. Quando os judeus exorcistas viram que os demônios lhe obedeciam tentaram imitá-lo, expulsando os espíritos malignos invocando o nome do Senhor Jesus, dizendo: “Esconjuro-vos por Jesus, a quem Paulo prega” (At 19.15). Observe que esses judeus imitavam a Paulo, portanto, o apóstolo expulsava os espíritos malignos “pelo nome de Jesus”, da mesma maneira que fez ao expulsar o espírito de adivinhação da jovem adivinha.
Para efetuar cura, a fonte de poder era a mesma: o nome de Jesus. Pedro curava os doentes pelo poder do nome de Cristo, conforme vemos no texto a seguir: “E disse Pedro: não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isto te dou: Em nome de Jesus, levanta e anda.” (Atos 3.6) Observe que nem Paulo, nem Pedro utilizaram o poder do sangue de Jesus para expulsar demônio ou para curar enfermos, mas o Seu Nome.
Para melhor compreendermos o porquê Jesus nos ensinou a usar o nome Dele para expulsar demônios, é necessário entendermos o que significa a expressão “Em nome de Jesus”:
“Em nome de Jesus”, significa “Sob (debaixo) da autoridade de Jesus”, ou seja, somos autorizados por ele a expulsar demônios, curar os doentes etc.
Quando dizemos aos demônios: “Em nome de Jesus, eu ordeno que saia desta vida” é o mesmo que dizermos: “Pela autoridade que Jesus me dá, eu ordeno que saia desta vida”.
Para entendermos ainda mais claramente o significado desta expressão darei alguns exemplos:
O pastor Antonio recebeu um convite para uma festa em uma determinada igreja, porém por já ter outro compromisso não pôde ir. Então, ele enviou o irmão André em seu nome. Ao chegar à outra igreja, o porteiro comunicou ao dirigente que o irmão André veio representando o pastor Antonio. Assim, ele foi apresentado e recebido como se fosse o pastor, sendo em seguida convidado para ocupar um lugar de honra.
É exatamente assim que Cristo fez com seus discípulos: Jesus precisava  voltar para o Céu porque já havia cumprido sua missão na Terra, então, como não estaria mais entre os homens ele precisava de representantes, então, reuniu os seus discípulos e lhes convocou para representá-lo, dizendo-lhes: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem  não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios...” (Mc 16.15-17)
Em outras palavras, Jesus estava dizendo: “Eu autorizo vocês a me representarem, expulsando os demônios, curando os enfermos” etc.
Representante é alguém que fala em nome de outro, por isso quando usamos a expressão “Em nome de Jesus”, estamos falando autorizados pelo dono do poder.
Ao dizermos: “Sai dele em nome de Jesus”, os demônios reconhecem que somos “representantes de Cristo” aqui na Terra, porque não estamos falando pela nossa própria autoridade, mas pela autoridade do próprio Jesus.
Para melhor compreendermos a questão de sermos representantes de Jesus na Terra, darei outro exemplo:
Quando ligamos para uma empresa é comum os funcionários nos atender como se fossem a própria empresa: “Casas Bahia, bom dia!”, “Sabesp, boa tarde!” etc.
Em ambos os casos citados como exemplos os funcionários estão agindo como “representantes” de suas empresas, ou seja, estão falando “Em nome” das empresas as quais representam, assim, é como se a própria empresa falasse conosco. Do mesmo modo ocorre, quando expulsamos um demônio “Em nome de Jesus”: é como se o próprio Jesus o expulsasse.
Mais um exemplo para nos ajudar a entender melhor essa expressão:
Outro dia vi duas crianças brigando porque a mais velha não queria deixar o irmão menor ficar no mesmo quintal em que estava. O pequeno correu para casa aos prantos e minutos depois voltou com um recado: “A mãe mandou eu falar  que ela mandou você deixar eu ficar aqui”. O outro, embora chateado, nada pôde fazer, porque o caçula não estava ali apenas por sua própria vontade, agora ele estava falando “em nome da mãe”. Ele estava ali “sob a autoridade dela”.
Compreendeu agora o que significa a expressão “em nome de Jesus”? É exatamente isso: “Eu não tenho nenhuma autoridade sobre as doenças, nem sobre os demônios, mas Jesus me autorizou a expeli-los”. Logo, os demônios não saem porque eu mandei, mas porque ao dizer “Sai em nome de Jesus”, é o mesmo que dizer “Jesus mandou eu falar que ele mandou você me obedecer e sair”.
 Em palavras mais curtas esta frase ficaria assim: “Jesus me autorizou a mandar você sair”. Para falarmos ainda mais resumidamente, diríamos: “Em nome de Jesus, sai!”.
Agora que você já compreende o porquê devemos expulsar os demônios “em nome do Senhor Jesus”, aproprie-se desta arma poderosa para, cheio do Espírito Santo, e a exemplo do nosso Mestre, levar liberdade aos cativos e pregar o perdão dos pecados, pelo poder do Seu Sangue.

No amor de Cristo,
Leila Castanha
03/2013




sexta-feira, 1 de março de 2013

O PODER DO SANGUE DE JESUS


Existe uma grande confusão feita por muitos cristãos no tocante ao poder emanado pelo sangue e pelo nome de Cristo. Uma das confusões mais comuns diz respeito ao fato de que muitos costumam  expulsar demônios através do “Sangue” de Jesus.  É muito comum ouvirmos pessoas expulsando os  espíritos maus, usando as seguintes frases: “O sangue de Jesus tem poder!” ou “O sangue de Jesus te repreenda!”.    
Para desfazermos de uma vez por todas esse tipo de confusão, vamos entender um pouco qual é a diferença entre essas duas fontes de poder: O Sangue e o Nome de Jesus.
Primeiramente, façamos uma breve análise sobre a função do sangue de Cristo, para tanto, iniciemos pelo texto escrito por Mateus, no capitulo 26 e versículo 28, onde lemos o seguinte: “... Isto é o meu sangue, o sangue do Novo Testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados”. (itálico meu).
Observamos que o texto citado acima diz que o sangue (de Cristo), era o sangue do Novo Testamento, derramado por nós. Para entendermos melhor o que Jesus queria dizer com a expressão “Novo Testamento”, devemos nos lembrar  o que significa tais palavras.
“Novo”, obviamente, é o antônimo (contrário) de “Velho”; “Testamento”, é o mesmo que “aliança, pacto, acordo, concerto”. Utilizaremos mais frequentemente os sinônimos “Pacto” e “Acordo”, para melhor fixarmos na mente o significado desta expressão. Assim, o “Novo Testamento”, trata do “Novo Acordo” ou do “Novo Pacto” que Deus fez com o homem.
Quando Jesus disse “Isto é o meu sangue, o sangue do Novo testamento”, conforme lemos no texto acima, ele estava dizendo que com o sangue dele, iniciaria o novo pacto que Deus faria com o homem. E que pacto era esse?
Em Levíticos 4, encontramos qual era o “Velho Testamento” de Deus com o homem: Ao ler este capítulo,você observará, que quando alguém pecava deveria sacrificar um animal, para que, ao ver o sangue inocente sendo derramado pelo pecado do ofertante, Deus o perdoasse. No Novo Testamento, isto é, no Novo Acordo de Deus com o homem, quando alguém pecar, Deus verá o sangue de um inocente (Jesus), sendo derramado pelo pecado daquele que procurar o seu perdão, e através desse sangue justo, ele perdoará o pecador.
Mas, ainda no texto de Mateus 26. 28,  Jesus explica que o seu sangue seria derramado “para remissão dos pecados”. Veja que havia uma finalidade para Ele derramar o seu sangue: Remir os pecados. A palavra Remir quer dizer: resgatar, libertar, salvar etc. Mas estes três sinônimos já são o suficiente para entendermos o significado do texto que estamos estudando. Então, remissão de pecados, pode ser interpretado como “libertação dos pecados”, assim, podemos ler esse texto da seguinte maneira:
“... Isto é o meu sangue, o sangue  do Novo Acordo, que é derramado por muitos, para libertá-los do pecado”. 
O motivo pelo qual Jesus precisou derramar seu sangue está explicado em Hb 9.22, que diz o seguinte: “Sem derramamento de sangue não há remição (libertação) de pecados”.
No Antigo Testamento (Antigo Pacto), o sangue dos animais, oferecidos pelos sacerdotes em nome dele mesmo ou de outra pessoa, tinha por finalidade “cobrir o pecado” do ofertante, ou seja, ao ver o sangue do animal oferecido a Ele como petição de perdão, Deus não olhava mais para o pecado da pessoa, mas para a sua oferta. Por isso, o sangue “cobria” o pecado do homem.
Quando Jesus tomou o lugar do animal, entregando o seu próprio sangue em sacrifício pelo pecador, toda vez que alguém peca, Deus já não olha mais para o pecado, porque o sangue de Jesus tem um poder ainda maior que o do cordeiro sacrifical, ele apaga os nossos pecados da mente de Deus. Por isso que a Bíblia diz que, quando aceitamos a Jesus, como nosso Salvador, somos  justificados para com Deus, e o sangue Dele nos purifica (nos torna limpos) de todo o pecado. A palavra, “justificado”, quer dizer “tornado justo”, justo é aquele que age de maneira correta.
Assim, o sangue de Jesus nos deu o direito de sermos recebidos por Deus como se fôssemos puros, a ponto de podermos entrar à sua presença.
Lembremo-nos que no Antigo Pacto de Deus para com o homem, só os sacerdotes tinham o direito de entrar em contato com Deus para oferecer-lhe sacrifício em favor do perdão de pecados das pessoas. Só os profetas tinham acesso a receber a mensagem de Deus para transmiti-la ao povo. No Novo Pacto (que começa quando Jesus derrama seu sangue para nos libertar do pecado), todos nós fomos feitos “sacerdotes” (1Pe 2.5, Ap 1.5, 6) e,   portanto, adquirimos o direito de entrar à sua presença sempre que pecamos, por isso João afirma: “Meus filhinhos, escrevo estas coisas para que não pequeis, e se alguém pecar, temos um advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1 Jo 2.1).
Além do texto de Mateus, no qual lemos, em Hebreus 13.12, o escritor desse livro (não sabemos quem escreveu), diz que Cristo morreu para “santificar o povo pelo seu próprio sangue”. Santificar é o ato de tornar santo; “Santo”, quer dizer “separado”, uma vez “separado do pecado”,  somos “libertos” dele, daí podemos entender que nesse contexto, “remidos e santificados” significam “libertados e separados” (do pecado).
Em Efésios 1.7, o apóstolo Paulo diz que em Jesus temos “a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas...” (itálicos meus). Vemos, portanto, duas graças (isto é, dois favores imerecidos) que recebemos pelo sangue de Jesus:
1)      Redenção: Redenção é o mesmo que resgate. Lembra-se de alguma vez em que você ouviu dizer que o sequestrador exigiu um determinado valor pelo “resgate” do sequestrado? Pois bem, resgatar é “trazer de volta”. O preço que Jesus pagou para nos “trazer de volta” para Deus, foi o seu sangue, isto é, sua própria vida.
Entendeu agora, o valor do sangue de Cristo, do qual participamos simbolicamente nos cultos de Santa Ceia? Estamos comemorando nosso “resgate”.
2)      Remissão: Ato de remir. “Remir” também significa resgatar, livrar, libertar etc. Podemos entender esse texto usando qualquer um destes sinônimos, mas usaremos no momento, “libertar”, já que estamos utilizando a figura do sequestrador para compreendermos melhor a função do sangue de Jesus sobre nós. Dessa forma, o apóstolo estava dizendo que Jesus nos resgatou pagando o resgate com o seu sangue, isto é, nos libertou das ofensas (ou do pecado). Obs.: Pecado é o ato de desobedecer a Deus, portanto, é ofensa a Ele. No original, a palavra pecado significa “Errar o alvo”.

Dessa maneira, entendemos que, o sequestrador que nos separou de Deus e nos aprisionou chama-se “Pecado”. Em Is 59.2, está escrito  que “os vossos pecados fazem separação entre vós e o vosso Deus”. Em 1Pe1.18, 19, o apóstolo diz que “...não foi com prata, nem com ouro que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver (...) mas com o precioso sangue de Cristo...”.  (itálico meu)
Esta, portanto, é a função do poder do Sangue de Jesus: resgatar-nos do pecado e nos levar de volta a Deus, nos manter libertos do domínio do pecado (Leia Rm 6.4) e nos tornar santos (separados) do pecado e para Deus.
Estas são as funções básicas do sangue de Cristo na vida do cristão. Ou seja, o sangue de Cristo resgata-nos, liberta-nos, e nos santifica. Ele exerce um poder tremendo sobre nossa vida, mas é um poder restritamente salvador, que nos liberta do pecado (do domínio da nossa natureza carnal) e da condenação eterna.
Uma vez compreendida a função do Sangue, podemos entender a grande confusão que existe da parte dos cristãos, que usam a invocação do “sangue” de Jesus para expulsar demônios. Na próxima aula, veremos qual é a função do “Nome” de Jesus e por que é através do poder de Seu “Nome” que os demônios devem ser expelidos.

Até o nosso próximo encontro.
Um abraço,
Leila Castanha




segunda-feira, 22 de abril de 2013

O PODER PERTENCE A DEUS


Há um grande perigo rondando os cristãos, que é o chamado “Culto Alternativo”.
O Culto Alternativo é quando alguém transfere para outra pessoa ou coisa o louvor que pertence a Deus.
Como exemplo, podemos citar as imagens de santos, nas quais os fiéis dão todo crédito ao invés de depositarem única e exclusivamente sua fé no Deus dos santos.
Mas não é só isso que é culto alternativo. Quem vai à igreja para angariar fortuna, também está trocando sua busca por Deus pela busca pelo dinheiro. 
Porém, uma das maiores armadilhas atuais do diabo é levar os fiéis a glorificarem os servos de Deus, no lugar de darem honra ao próprio Deus.
 Alguns usam como desculpa o texto do apóstolo Paulo (Rm 13.7), o qual manda que os cristãos honrem a quem tem honra, isto é, valorizem os que merecem ser valorizados. No entanto, honrar ou valorizar, não é o mesmo que endeusar (tornar deuses, e oferecer os mesmos préstimos devidos somente a Deus).
Outro dia fui a um culto de adolescentes no qual convidaram uma cantora famosa para ministrar os louvores, e enquanto o culto rolava formou-se uma fila de adolescentes, do púlpito até o meio da nave da igreja, para receberem autógrafo da tal cantora. Fiquei injuriada e fui falar com a empresária dela (que era a própria mãe da moça), e pedi que ela respeitasse o momento sagrado do culto (adoração) a Deus. 
Não teria nada demais se, após o término do culto, ou mesmo antes dele, ela distribuísse autógrafos,  todavia durante o culto, é no mínimo desrespeito ao lugar santificado para adorar ao nome de Jesus.
A Bíblia é enfática em dizer que Deus não dá sua glória a ninguém, e nem a coisa alguma. Além disso, quando apoiamos nossa fé em alguém, por mais santo que esta pessoa seja, ficamos ligados a ela de forma que, se a tal pessoa está firme, nós também estamos, mas se a pessoa cair, nos sentimos abalados.
A Bíblia nos adverte a não confiarmos nas pessoas a ponto de fazer dela nosso braço forte, isto é, não devemos confiar em alguém a ponto de apoiarmos nossa fé nela (Leia Jr 17.5).
 O texto de Jeremias não diz que é maldito quem confia no homem, mas quem confia no homem e faz dele o seu braço forte. Temos que ser pessoas confiáveis, mas não somos fortes o bastante para que alguém se apoie em nossa força.
O apóstolo Paulo escreveu aos irmãos de Corinto (1 Co 10.12), dizendo-lhes que “Quem está em pé  cuide que não cair”.
Ele estava falando com crentes, dizendo-lhes para vigiarem, senão poderiam fraquejar na fé. Isto porque todos nós, seres humanos que somos, estamos sujeitos a falhar.
Sabemos que Davi era o homem segundo o coração de Deus (Veja At 13.23), todavia ele também caiu vencido pela tentação ao desejar uma mulher casada.
Imagine se todo o povo de Israel apoiasse sua fé em Deus na pessoa de Davi. Ninguém mais creria na santidade divina, porque Davi pecou um pecado duplo: adultério e assassinato (Davi tramou a morte de seu soldado mais fiel para que ele não descobrisse seu adultério com a mulher dele). Esta história está registrada em 2 Sm 11.
Outro homem de Deus que também caiu foi Sansão. Dotado de grande força, era proibido por Deus de se misturar com mulheres que não pertencessem ao povo hebreu (os israelitas). Todavia, sabemos de pelo menos dois relacionamentos de Sansão com mulheres pagãs, sendo uma delas, Dalila, a causadora de sua morte. Leia a história em Juízes capitulo 13 em diante.
Jonas, um profeta respeitado em seu tempo por ser um homem de Deus, certa vez chegou a pedir para morrer porque Deus o enviou para profetizar a destruição dos ninivitas (habitantes de Nínive), e se revoltou quando Deus desistiu de destruí-la porque seus habitantes se humilharam perante Ele.
Segundo a história, esse povo costumava arrancar a cabeça dos inimigos e deixá-las em exposição. Eram malvados e sanguinários, e Jonas não achou justo Deus perdoá-los. Agora imagine se você fosse daquela época e sua fé estivesse apoiada no profeta Jonas, não em Deus. O que você sentiria se o homem em quem você se inspirava estivesse pedindo a morte porque foi fraco o suficiente para conseguir perdoar aos que lhe haviam ofendido?
Pedro, um homem brilhante, que vivenciou grandes maravilhas ao lado de Jesus, e cuja sombra até curava os doentes, também era um homem sujeito a falhar. Lembra-se de quem negou Jesus três vezes, quando ele estava preso? Isso mesmo! Foi Pedro. E ele jurou que jamais faria isso, afinal, era um homem que havia vivido todo o seu ministério ao lado do poderoso Jesus (Leia Mc 14.68).
Agora imagine você como fã de Pedro, dizendo para todo mundo que o irmão Pedro é um homem “cheio do poder”, que nenhum demônio ou doença resistiam à ele, inclusive, chegou a prometer a Jesus, que jamais o negaria, ainda que fosse preciso morrer com ele (Leia Mc 14. 227-31).
Então, no dia em que Jesus foi preso, você ouve no pátio do lugar para onde Cristo foi levado o seguinte:
“Este homem  - dizia uma empregada dos sumos sacerdotes aos soldados- é um dos discípulos de Jesus.”
Em seguida você ouve a voz do irmão Pedro, por quem você bota a mão, respondê-la, assustado:
 “Imagina, eu nunca vi este homem!”
Que decepção você teria, não é verdade?
Foi exatamente isso o que aconteceu. Leia Mc 14.27-31 e depois  66-71).
Sabe por que isso aconteceu? Porque embora Pedro fosse um homem de fé e um verdadeiro servo de Cristo, ele também era humano, e todos nós seres humanos estamos sujeitos a cair, a falhar e a pecar.
Entendeu o porquê não podemos nos apoiar em homem algum? E não podemos deixar ninguém se apoiar em nós para sustentar sua fé? Mesmo que sejamos um vaso de Deus ou que a pessoa a qual admiramos também seja um homem usado por Deus, todos nós, segundo a Bíblia, somos simplesmente NADA.  Os que se acham “poderosos”, “fortes” e “merecedores” da graça divina não conhecem a Palavra de Deus.
Leia Sl 62.11 e veja o que o salmista disse: “Uma vez falou Deus, duas vezes ouvi isto: QUE O PODER PERTENCE A DEUS”.
 Nós somos fracos, não fortes. Nossa força é o Senhor. É Nele que nos apoiamos, quando pregamos, quando aconselhamos alguém, quando expulsamos demônios, quando ensinamos a Sua Palavra, quando oramos, quando jejuamos etc.
Vejamos o que o próprio Jesus nos ensinou no final da oração do Pai nosso: “Não nos deixe cair em tentação, mas livrai-nos do mal, porque teu é o reino, O PODER e a glória para sempre. amém! (Mt 6.13).
É ele quem manda (o Reino é dele); é ele quem pode tudo (o Poder é dele); Só ele pode ser glorificado (a Glória é dele).
 Uma vez Jesus ensinou ao apóstolo Paulo uma lição que ele não sabia: “O meu PODER se aperfeiçoa na FRAQUEZA”. (2 Co 12.7) . O apóstolo então, no final do versículo 10, confessou: “Agora tenho prazer nas fraquezas, porque quando sou fraco, então é que sou forte”.
Em palavra popular, podemos entender esse versículo assim: Deus não usa a quem se acha. Ele usa somente aquelas pessoas que sabem que sem o nome de Jesus na frente, não são nada e não podem fazer nada.
Se é o nome de Jesus que nos possibilita expulsar demônios e curar enfermidades, é o nome dele que tem poder, e não nós que estamos expulsando ou orando pela cura.
Por exemplo: Eu vou no banco sacar um dinheiro e percebo que a minha conta foi bloqueada. Então eu vou até o gerente e faço uma reclamação. O gerente me dá um papel para entregar a um funcionário, e este pega o papel, lê e diz ao caixa que é para me dar o valor que pedi.
O caixa responde que não pode fazer isso porque é contra a regra do banco. O funcionário que recebeu o papel do gerente explica ao caixa que são ordens do gerente. Então, mesmo contra a sua vontade o caixa me entrega o que dinheiro que solicitei.
Depois de receber o dinheiro, dirijo-me a um amigo que estava no banco comigo, mostro-lhe o dinheiro e digo-lhe:
-Está vendo como eu sou poderosa! Comigo é assim: Eu quis sacar e eles tiveram de me dar o dinheiro que eu pedi, mesmo com minha conta bloqueada.
Então meu amigo vira-se para mim e responde:
- Não foi você quem conseguiu. Eles obedeceram o gerente, cujo nome estava no papel que você mostrou ao funcionário. Então, Leila, não é você que é poderosa, mas o nome do gerente  que  fez o caixa atender o seu pedido.
Entendeu a diferença? Nós não temos poder nenhum. O nome de Jesus, o qual nós invocamos é que tem poder para fazer qualquer coisa. Quanto a nós não passamos de pó. Simples mortais, carentes da misericórdia divina. Por isso o apóstolo Paulo disse que se gloria na cruz de Cristo. Ele sabia que sem a misericórdia de Deus, que o escolheu sem ele merecer, ele não seria nada.
Você compreende como é que Deus trabalha? Quando digo que sou forte, então Deus não age através de mim, porque Ele só age através de quem entende que é fraco, e só a misericórdia de Deus é a causa de nós não sermos consumido (aniquilados).  Veja esta verdade registrada em Lamentações de Jeremias 3.22,23.
 Leia também 1 Co 1.26-29, que em resumo diz o seguinte: Deus não chamou para a salvação nem muitos entendidos e nem muitos poderosos, mas Ele preferiu chamar àqueles que eram tidos pelo mundo como loucos e como fracos e que sabiam que não eram nada, para que ninguém se vanglorie na presença dele.
Quando nos dedicamos a oração devemos ficar mais humildes, porque no momento da oração percebemos o quanto precisamos de Deus para continuarmos firmes e constantes na obra do Senhor. Sem ele a carne vence o espírito. Leia Mt 26.41.
Os apóstolos Pedro  e João quando em nome de Jesus curaram um coxo, a multidão que assistiu olharam para eles com expressão de admiração. Pedro, porém, sabendo que uma das virtudes do cristão é a humildade, e que a glória pertence ao Mestre, disse ao povo: “Varões israelitas, porque estais olhando tanto para nós como se por nossa própria virtude (poder) ou santidade fizéssemos este homem andar?" A partir daí ele começou a mostrar que quem fizera aquilo foi o mesmo Jesus a quem crucificaram. (At 3.12) 
O mesmo aconteceu com Paulo e Barnabé, quando faziam a obra missionária,  realizando  prodígios e maravilhas. Ao ver isso o povo queria adorá-los, porém, ao ver que queriam sacrificar-lhes animais, como se fossem deuses, Barnabé e Paulo rasgaram suas vestes em sinal de humilhação (não queriam receber glória) e foram para o meio da multidão gritando:
 “Por que fazeis isto? Nós somos homens como vocês, sujeitos as mesmas paixões (erros), e vos anunciamos que vos convertais dessas vaidades ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, e o mar e tudo quanto há neles." (At 14.9-15)
Que diferença dos que recebem a glória de Deus, não é?
Para findar este estudo, leiamos Jeremias  9. 23-24:
 “Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas;
Mas o que se gloriar, glorie-se nisso: em me conhecer e saber que eu sou o SENHOR e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; destas coisas me agrado, diz o Senhor.
Portanto, meu prezado irmão, lembremo-nos de que não somos nada, e digamos como João Batista quando quiseram colocá-lo acima de Cristo:
“Eu não sou o Cristo. Convém que ele cresça e eu diminua.” (Jo 3.28-30)


No amor de Cristo,
Leila Castanha

04/2013



segunda-feira, 3 de junho de 2024

A CRIANÇA E O SEU VALOR PARA O REINO DE DEUS


 TEXTO BÍBLICO: Mt 18.1-7

"A criança é o presente da Igreja e a garantia do nosso futuro”, esse é o lema da EBD kids da Assembleia de Deus Viva em Cristo. Esse lema ao ser formulado foi pensado de duas formas: em sua primeira parte, diz respeito à Igreja Universal, à noiva de Cristo, para quem a criança é um presente de Deus  e também se faz presente em sua história, visto que Deus sempre usou e ainda usa as crianças para os seus propósitos. A segunda parte, fala a respeito da Igreja Universal, bem como também da local, pois o próprio Jesus disse que o Reino dos Céus pertencem a elas, e a igreja local não subsiste sem haver crianças em seu meio, pois elas são os futuros obreiros, quando os adultos já não estiverem nessa vida e os jovens se tornarem idosos. Quem nos representará quando chegar essa realidade? A resposta é apenas uma: as crianças. Por isso é importante as educarmos no temor do Senhor e ensinamos a elas, com palavras, exemplos e atos, a servirem a Deus e a sua Igreja.

Brewster, autor de "A criança, a igreja e a missão", chama a nossa atenção para o fato de que todo grande movimento da história investiu nas crianças: o nazismo e o comunismo “treinaram legiões de crianças” para continuar suas ideologias políticas. O Talibã - uma organização fundamentalista do Afeganistão - treina crianças para defenderem suas causas. Na Bíblia, observamos governos como o de Nabucodonosor, que recrutou adolescentes, como Daniel e seus amigos, para treiná-los. Dan Brewster adverte que os evangélicos, nos últimos tempos, parece que se descuidaram dessa missão para com as crianças. 

A Igreja de Cristo nunca vai acabar: A primeira coisa que precisamos entender quando se fala em Igreja, a noiva de Cristo, é que  Jesus já garantiu que as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Logo ela é indestrutível. No entanto, quando nos reportamos à igreja, como uma congregação local, o sucesso dela vai depender do grau de obediência de seus líderes às instruções do Mestre - Jo 15.5-7

 “Será que já existiu um reino sem crianças?” Essa foi a pergunta do pregador Batista inglês, do século 19, Charles Spurgeon, denominado O Príncipe dos Pregadores, devido a sua eloquência na pregação da Palavra de Deus. João Batista, que veio para anunciar a Cristo, pregava a seguinte mensagem: “Arrependei-vos, pois é chegado o Reino dos Céus”. João pregava o Evangelho do Reino. Portanto, se o Evangelho é a boa notícia do Reino (de Deus), e, uma vez que todo e qualquer reino é composto de adultos e de crianças, segundo o pensamento de Spurgeon, não é possível que no Reino divino não haja a presença delas.

 Spurgeon também pontuou que, além de ser necessário haver crianças em qualquer reino, Jesus afirmou que O REINO DO CÉU PERTENCE A ELAS. Os pequeninos não são apenas participantes desse reino, mas são as peças principais nele. Cristo também declarou que "quem não se fizer como uma criança, de maneira nenhuma entrará no Reino dos céus". Logo, as crianças são o exemplo didático-pedagógico que Jesus deixou para quem quer pertencer ao seu governo  na Terra. No entanto, esquecemo-nos dessa verdade, e, ao invés de acolhermos os pequeninos, os expulsamos de nossos templos e lhes fechamos as portas.

As crianças sempre foram alvos do Inimigo: Na época da publicação do livro de Dan Brewster (2015), ele afirmou que havia,  segundo estimativas,  cerca de um  milhão de crianças por ano que ingressavam para o comércio do sexo. Por outro lado, eu tive a tristeza de testemunhar, há algum tempo atrás, bem próximo a minha casa, em uma escola estadual na qual trabalhei como professora, crianças de 11 e 12 anos, vendidas pela mãe, em troca de uns trocados,  para servirem homens bem maduros de idade. Havia crianças, inclusive, que, ficaram grávidas desses elementos. Se formos pesquisar as diversas violências pelas quais as crianças hodiernas (do nosso tempo) são expostas, veremos que vai de violência doméstica até torturas físicas e psicológicas. 

Brewster afirma que os últimos anos houve um aumento significativo de crianças com transtornos mentais. De acordo com Hugo Monteiro Ferreira, em seu livro "A geração do quarto", uma garota confessou que se cortava, juntamente com outros adolescentes, e depois se reuniam para ver o que mais fariam contra si mesmos. O autor também revela que colheu informações de pais e colegas de adolescentes que se mataram ou que programavam se matar. É "a geração incomodada consigo mesma, com o que dizem sobre ela, com o que ela vê no espelho, que lhe mostra o que não quer ver" - afirma Ferreira. 

 No Antigo Testamente, o diabo já investia contra as crianças: A ordem de Faraó para os  bebês hebreus, no tempo de Moisés; a matança das crianças, ordenada pelo rei Herodes,  no tempo de Jesus; as milhares de crianças sacrificadas a Moloque na época do Antigo Testamento, em diversas culturas do mundo, além de outras atrocidades cometidas contra os pequeninos, conforme observamos nos textos de Jó 24.9; Jl 3.3; Jr 7. 30,31;  32. 35


COMO DEUS VÊ A CRIANÇA

Mt 18.1- 6 - Jesus usa a humildade de uma criança para nos ensinar a ser seus discípulos. Por meio delas ele ensinou:

1) Jesus ensinou aos seus discípulos a serem humildes: V. 4 - a fé de uma criança é simples, não precisa de nada complexo. Jesus quer que tenhamos essa fé. No sermão do monte - Mt 5.5 - Jesus louva a humildade, ao dizer: “Bem-aventurado os humildes, pois deles é o Reino dos céus”; Filipenses 2:5-7 , o apóstolo Paulo nos mostra Cristo como exemplo de humildade, visto que ele se humilhou deixando sua majestade e assumindo a forma de homem. O livro de Marcos mostra Jesus como o Servo Sofredor. Se fosse um adulto que estivesse sendo escorraçado pelos discípulos de Jesus, muito provavelmente, voltariam para casa e,  nunca mais iriam procurar o Mestre, porque, de fato,  somos bastante geniosos. Mas a criança só se importa com o que lhe interessa: elas queriam que Jesus as tocasse, e para elas, os discípulos eram meros obstáculos. 

2) Jesus ensinou aos seus discípulos a não desprezar ninguém:  "Quem recebe as crianças, em meu nome,  me recebe" - v.5. O contrário dessa afirmação seria: "Quem não recebe as crianças, em  meu nome, não me recebe" -  percebe que gravidade há nessa afirmação do Mestre?

Temos o hábito de recebermos calorosamente os adultos em nossas reuniões e menosprezarmos as crianças. Cumprimentamos os pais com um aperto de mão, e nem sequer falamos com os pequeninos que estão ao lado deles, como se fossem invisíveis. Embora pareça que as crianças não se importam com essas atitudes, a verdade é bem outra. Eu mesma, em minha infância e adolescência, quando acompanhava meu pai em visitas às igrejas, ficava muito decepcionada ao ver a recepção calorosa que os irmãos faziam aos adultos, e, ao se reportaram a mim, nem mesmo diziam o meu nome, eu era apresentada como "a Filha do irmão Laerço". Anos mais tarde, tive a mesma experiência com o meu filho, que, na época, era um adolescente. Ao voltarmos para casa, após o término do culto em uma congregação que fomos visitar, ele criticou o fato de ser invisível para o pastor, que citou o nome dos adultos e os recebeu com alegria, enquanto mal notou a presença dele e da prima que estavam conosco naquela mesma visita. Isso é muito triste! Das crianças é o Reino de Deus, disse Jesus. Todavia, em nossas igrejas tudo é voltado para atender as necessidades do público adulto. Que inversão de valores! 

Em Mc 10.13-16, o autor desse Evangelho conta que Jesus se indignou com a atitude dos seus discípulos contra aquelas crianças. Ele se enfureceu mesmo, isto é, Jesus ficou bravo com eles. Então, ele parou tudo: chamou uma criança - movimento contrário aos dos discípulos -  a colocou em seu colo (acolhimento), e, por fim, atendeu ao seu pedido:  pôs as mãos sobre cada uma delas e as abençoou. Jesus mostrou aos adultos que as crianças eram as estrelas principais no seu Reino. Observe, ele fez exatamente o que elas queriam, mostrando o seu valor para Deus.

3) Ele as abençoou, ao invés de enxotá-las: as palavras que falamos pode abençoar ou amaldiçoar uma vida - Provérbios 18:20,21. Os discípulos de Jesus agiram errado, visto que tudo o que falarmos  deve contribuir para edificação de quem ouve, conforme indica Provérbios 10:11  e  Pv 12. 18; Pv 12. 18.

 4) O nome de Deus é firmado por meio das crianças: Sl 8.2 Sl 8.2 - Enquanto queremos adorar a Deus, livres das crianças, a Bíblia revela que é por meio delas que Deus cala o adversário. Lembramos, como exemplo disso, a ousadia de Davi, a quem o valente Golias, pejorativamente, o chama de "menino", para diminuir o seu valor naquela batalha, visto que ele era um simples pastor de campo, enquanto o gigante era um experiente guerreiro filisteu. 

Pregar o Evangelho a toda a criatura: Essa ordem de Jesus também inclui as crianças. Uma das coisas que Spurgeon frisa em seu livro “pescadores de crianças” é que não podemos ter a ideia judaica de que "o nascimento traz consigo a privilégios da aliança”. João Batista, protestou contra esse pensamento ao dizer que, se Deus quisesse, ele poderia fazer nascer  filhos a Abraão até mesmo daquelas pedras. Em seguida, ele exortou ao povo dizendo que os israelitas precisavam se arrepender dos seus pecados para poderem fazer parte do Reino de Deus. Da mesma forma são as nossas crianças, que, mesmo sendo filhos de cristãos,  nascidos no Evangelho, precisam também confessar a Cristo, por meio do arrependimento de seus pecados, tomando a decisão de servi-lo.

Outra coisa muito importante é a observação de Spurgeon ao dizer que pregar a uma criança, não significa que estamos semeando em solo virgem, pois todos já nascemos contaminados pelo pecado. Mas, o coração infantil, é um solo que está mais fértil agora do que estará anos mais tarde, quando for adulto. O que O Príncipe dos Pregadores está dizendo, é que quanto mais ervas daninhas forem semeadas no coração de uma pessoa, mais propensão terá de sufocar a semente do Evangelho.

Criança também peca: No N.T., vemos o apóstolo Paulo dizer a Timóteo que, apesar de jovem, ele conhecia as Sagradas Letras desde a sua infância - 2 Tm 3.15a. Spurgeon observa que o fato de uma pessoa conhecer a Bíblia já é muita coisa, mas ouvir alguém dizer: “desde criança você conhece”,  é outra coisa. A mãe de Timóteo, Eunice e sua vó, Lóide, o educaram muito bem. Assim também vemos exemplos como esse no A.T., como, por exemplo, a criança Samuel, que foi educada pelo sacerdote Eli e se tornou um homem temente a Deus. Todavia, na mesma casa, havia os filhos de Eli, Ofni e Fineias, que, assim como Samuel, acompanhou o seu pai trabalhando para Deus, no entanto, eram jovens sem respeito e sem temor ao Senhor.  Da mesma maneira, vemos um pedindo ajuda para Jesus porque seu filho era atormentado por espíritos imundos - Mc 9.21-27. Dessa feita fica evidente que, assim como Deus pode usar uma criança, elas podem ser usadas pelo nosso Inimigo também. Um outro escritor disse que, quando ganhamos um adulto para Jesus ganhamos apenas metade de uma vida, pois a outra metade o mundo já levou. Mas quando ganhamos uma criança para Jesus, ganhamos uma vida inteira.

DEUS OUVE AS CRIANÇAS: Gn 21. 1-20

Deus ouviu o choro da criança: A pergunta do anjo “o que tens, Agar?”, embora direcionada a ela, o que o anjo de fato perguntava, de acordo com Brewster,  era: “porque a criança está chorando?”  

Dan Brewster chama a nossa atenção para essa afirmação do anjo: “o q aconteceu, Agar?” - ou seja,  “porque o menino tá chorando?”. Ele afirma que essa é a pergunta de Deus para a sua Igreja: “Porque as crianças estão chorando?”

Por outro lado, com essa pergunta, Agar é obrigada confessar sua situação de vulnerabilidade: ela abandonou o filho porque não tinha como ajudá-lo. E essa é a situação de muitas mães e pais, que largam de mão os filhos quando não sabem o que fazer com eles. Porém, nossos pequeninos são responsabilidade nossa, dos pais, em primeiro lugar, e também da Igreja, que tem como ordem socorrer os fracos, órfãos e necessitados - Is 1.17 - e, até mesmo a lei dos homens, entende como abandono de incapaz a falta de proteção dos tutores às crianças que estão sob a sua responsabilidade. Deus não apoia covardes, como veremos mais adiante, e isso ele deixou claro pelas Escrituras, o Senhor quer  para si um povo destemido, que não desiste em meio à dificuldade, visto que temos a Ele, o Deus do Impossível. 

Levanta o menino: Agar estava desesperançada e, provavelmente, fraca devido ao efeito do sol causticante do deserto. Mas o anjo, apesar de vir em socorro do menino, se direciona a ela para lhe dar instruções, e, assim, ordena à mãe para levantar o menino. 

Somos nós, os adultos, que devemos levantar as crianças, e, em especial, nós, a Igreja de Jesus. Levantamos as crianças com palavras de afirmação, com atitudes de acolhimento, suprindo-lhes as necessidades físicas. Há muitas crianças pelo mundo todo chorando, assim também como há crianças em redor de nós que também choram: de fome, frio, medo, por causas das diversas formas de violência contra elas: violência doméstica, sexual, psicológica, contra os direitos humanos, etc. E a Igreja deverá ser agência de misericórdia para socorrer essas crianças, aliás, Jesus disse que "quem fizer tropeçar a um desses pequeninos que creem em mim, melhor seria colocar uma pedra no pescoço e se lançar no mar" - Mt 18.6. Imagina o tamanho do castigo para quem decepcionar uma criancinha que crê em Cristo? E quantas delas têm pavor de igreja porque foram escandalizados pelas atitudes dos cristãos!

Deus não trabalha com covardes: Trabalhar no ministério infantil, principalmente visando o cuidado integral com a criança (espiritual, psicológico e fisico), não é bem difícil e exige coragem. Todavia, para fazermos qualquer coisa para Jesus precisamos ser corajosos. Leia o que diz 2 Tm 1.7,82 Tm 1; Jz 7. 1-3Jz 7. 1-3; Ap 21.8Ap 21.8.  Em nossos dias, poucos valorizam a honra e o poder do sacrifício. Fazemos qualquer coisa, desde que não nos tire do nosso lugar de conforto. Deus não usa ninguém em sua rede de conforto. A primeira coisa que ele faz, é levar a pessoa a se posicionar, a demonstrar disposição para agir. Em   Ezequiel 2, vemos Deus convocar o profeta, iniciando sua conversa com a ordem: "Põe-te em pé e falarei contigo".  Veja também At 26.16At 26.16; Gn 31.13; Gn 35.1, etc.

 DEUS OUVIU O CHORO DO MENINO - v. 17 - Agar também estava chorando, mas o anjo revelou à Agar que Deus ouviu a voz do menino. Apesar de Deus ouvir a voz da criança (dar ouvido), quando ele decidiu socorrê-lo, o anjo foi falar com a mãe e não com a criança: “Qual é o problema? Não tenha medo, ele disse -  Deus ouviu o menino chorar, lá de onde você o deixou”. (Gn 21.17).

O anjo de Deus fala com a mãe e a instrui: 

1) Não tenha medo - v.17: É papel da igreja apoiar e incentivar os que cuidam das crianças. Mães solteiras, mães que vivem em um relacionamento abusivo e tentam proteger seus filhos; obreiros do ministério infantil, etc. As palavras positivas e as ações de apoio são importantes para quem luta pelas crianças. Elas mesmas, muitas vezes, se tornam violentas como meio de se defenderem dos adultos. Precisamos de incentivo por meio de palavras e de ações: envolvimento direto ou indireto. O anjo estava ali para resolver o problema.

Levante o menino - v.18: A criança não tem autonomia, ela precisa do amparo de um adulto. Apoio físico, moral e  espiritual. Muitas crianças são desvalorizadas e até sofrem bullying dentro da própria família. Algumas delas são filhos de pais separados que possuem outra família, e seus irmãos são paparicados, enquanto eles são desprezados. A Igreja precisa levantar essas crianças, e mostrar-lhes que Deus escuta o choro delas e nós somos seus enviados  para levantá-las, espiritual, psicológica e moralmente. -Mt 18.10

Pior é que, ao invés de acolher, a Igreja também tem rejeitado e menosprezado os pequeninos, vendo-os como problema, atrapalho. LEVANTA A CRIANÇA é a ordem de Deus, ao invés de compartilhar com os maus tratos que elas já sofrem.


2º) Tome-o pela mão - v.18: É nosso papel auxiliar os pais a orientarem, conduzirem às crianças no caminho certo - Pv 22.6.   A criança não irá aprender a amar a Deus e a igreja só pelo ensinamento dos pais, mas o exemplo dos cristãos de sua comunidade de fé, bem como sua participação nos trabalhos da igreja e a segurança da comunhão dos santos farão toda a diferença para uma vida firmada no amor de Cristo. Um  certo pastor, que não tinha paciência com a única criança que tinha na igreja, depois de aprender sobre o que Jesus pensa e disse sobre a importância das crianças em seu Reino, passou a chamar o garoto para se sentar ao lado dele no púlpito, e, ao invés de ralhar com ele, passou a defendê-lo, explicando à congregação que é necessário entender que criança não age como adultos. Essa criança passou a amar esse pastor de tal forma que, de repente, ele decidiu que quando crescesse também seria pastor. Esse ministro, com sua atitude de amor e paciência para com esse garoto, conseguiu orientá-lo no caminho que deveria andar, ao invés de jogá-la para fora da igreja, como fazia antes, demonstrando desprazer com a presença do pequeno inquieto.

3º) Deus lhe abriu os olhos e ela viu uma fonte: A Bíblia não diz que Deus fez nascer uma fonte perto da mulher, ela narra que Deus abriu os olhos dela para ver o que já estava lá: a tão desejada fonte. Apesar do anjo estar lá, mostrando a água, Agar teve de ir encher  a vasilha e dar água ao filho moribundo- v.19. Nosso medo do futuro - que não conhecemos - bem como nossa falta de fé em Deus, nos faz ver com detalhes o gigante deserto, e nos cega para achar o oásis, mesmo que estejamos a alguns passos dele. No entanto, apesar de Deus nos mostrar os recursos, nós temos de nos posicionarmos e agirmos em socorro das crianças que esperamos por socorro. Deus ouve o choro dos pequeninos, envia seus agentes para salvá-las (hoje, seus agentes somos nós, a Igreja), nos mostra os recurso e nós temos que ir atrás delas com o auxílio necessário.

 A igreja é o único plano de Deus para a libertação dos povos: Nós somos os representantes legais de Deus na Terra, somos os seus embaixadores, somos a sua boca, as suas mãos e os seus pés. Is 1.10-18.

Que Deus nos dê amor e sabedoria para salvarmos as crianças de hoje, a fim de salvarmos a geração futura.


No amor de Cristo,

Leila Castanha

26/05/2024

 

domingo, 15 de março de 2015

O QUE SIGNIFICA SER SALVO EM CRISTO?

Acredito que de nada terá proveito o estudo exaustivo de qualquer tema relacionado à Bíblia se não tivermos conhecimento sobre a chamada soteriologia, do grego soterion = salvação +  logia = ciência.  Soteriologia, então, é a “ciência teológica que se refere à salvação da humanidade, de sua redenção” (Larousse Cultural).
Embora muitos cristãos não deem muita importância a esse tema, não podemos nos esquecer  que nossa carreira cristã só tem sentido a partir da nossa salvação, pois sem ela nada do que fizermos terá valor algum. Esta afirmação partiu do próprio Jesus que ao ouvir seus discípulos gabarem-se pelo fato de realizarem prodígios e maravilhas no nome dele, respondeu-lhes: “Não vos alegreis porque os demônios se vos sujeitam, antes, alegrai-vos pelo o vosso nome estar escrito nos céus.” (Lc 10.20).
Além disso, o Evangelho (boas novas) que pregamos é chamado de “O Evangelho da Salvação” (Ef. 1.13) porque a salvação em Cristo deve ser a mensagem central a ser pregada ao Mundo. Salvação é o tema principal da Bíblia, por isso devemos entender o que significa essa palavra e a que se refere, para não sairmos por aí pregando a Palavra de Deus como um mensageiro sem mensagem.
Desde o princípio o plano de Deus era salvar a humanidade. Desde o Antigo Testamento (o antigo pacto de Deus com os hebreus), o seu plano era o de salvar o homem, conforme se vê, por exemplo, em Isaías 35.4: “Dizeis aos turbados de coração; eis que o vosso Deus virá com vingança, com recompensa de Deus; ele virá, e vos salvará.” Este é apenas um dos turbilhões de textos do Antigo Testamento que trata da promessa de um salvador.
Quando finalmente Jesus se encontrou no mundo a intenção de Deus continuou sendo a de salvar a humanidade, pois foi Ele quem enviou o seu amado filho para tomar forma humana e morrer para nos resgatar do pecado, conforme observamos nas palavras do próprio Cristo: “O filho do homem veio salvar o que se havia perdido.” (Mt 18.11). A grande questão é: Pode o cristão pregar a salvação se ele mesmo não compreende esse plano de Deus? É óbvio que não.
Acredito que compreendemos bem esse assunto quando nos sentimos aptos a responder a estas quatro perguntas concernentes a salvação:
1.     O que significa o termo “salvação”?
2.     Do que preciso  ser salvo?
3.     Quem poderá me salvar?
4.     Como posso ser salvo?
Se você puder responder essas perguntas de forma genuinamente bíblica, então você compreendeu a doutrina da salvação, e está pronto a propagar o Evangelho de Cristo, que é salvação para todo aquele que crê (Rm 1.16). Lembre-se que a palavra Evangelho significa “Boa nova (boa notícia) ou boa mensagem.”
Muitas pessoas aceitaram a salvação de Cristo, mas na realidade não compreendem o que fizeram. Aceitar a salvação de Cristo não é simplesmente tornar-se membro de uma igreja. Não é apenas passar a viver uma vida vitoriosa, cheia de bênção e alegrias. Não se resume em viver em novidade de vida. Tudo isso é consequência da salvação, mas não é a causa da salvação. 
Vejamos, então, o que significa ser salvo por Cristo. Para ser bastante clara no que quero dizer, darei um exemplo para explicar o que é ser salvo por Cristo.
Suponhamos que você está numa feira de escravos, com as mãos e os pés acorrentados, e está prestes a ser vendido. De repente, alguém se aproxima de você e lhe pergunta: “Você gostaria de ser salvo?”.  É lógico que para lhe responder você precisa entender o que significa a expressão “ser salvo”.
Provavelmente, a primeira coisa que lhe virá à cabeça é que ele te oferece a chance de escapar de uma situação de perigo, ou seja, você corre o risco de ser vendido como escravo, e ao ser salvo estará livre desse risco.
E é exatamente isso o que significa a expressão “ser salvo”. Salvação significa “livramento”, logo, se você aceitar que o gentil cavalheiro da nossa historinha te salve é como se você lhe dissesse que permite que ele te livre da terrível situação a que você está exposto.
Segundo a enciclopédia Larousse Cultural, o termo salvar também significa “remir” ou “redimir”, e ambos significam resgatar. Quando Jesus nos oferece a salvação, ele o faz mais precisamente no contexto de remir ou redimir, isto é, nos resgatar, conforme nos afirma o texto a seguir: “Ele veio salvar o que se havia perdido.” (Lc 19.10). Observe que se Ele veio salvar “o que se havia perdido”, significa que alguém corria perigo. E qual era o perigo? Em Isaias lemos:
“Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar, nem os seus ouvidos agravados, para que não possa ouvir. Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus, e os vossos pecados escondem o seu rosto de vós, para que não vos ouça.”
Observamos neste texto que corríamos o perigo de ficarmos para sempre separados de Deus. Após Jesus sacrificar-se por nós os nossos pecados não mais nos separam de Deus, pois João disse que se pecarmos temos um advogado para com Deus, Jesus Cristo, o Justo (1 Jo 1.2). E quanto a nossa condição de pecadores, através do sangue de Jesus, que nos remiu (resgatou do pecado), fomos justificados perante Deus, isto é, ele não nos vê mais como servos do pecado, mas como filhos. Leia Rm 5.1; Gl 4.7; Tt 3.7.
Para melhor entendermos o ato da salvação em Cristo darei outro exemplo: O filho de um comerciante muito rico foi sequestrado e o sequestrador mandou-lhe um bilhete dizendo o seguinte: “Estamos com seu filho. O valor do resgate é de um milhão de reais. Providencie o  dinheiro amanhã e indicaremos o local da troca.”
Sabendo que a palavra “resgate” significa “adquirir de novo”, podemos substituí-la pelo seu sinônimo e o recado ficaria assim: “Estamos com seu filho. O valor para você “adquiri-lo de novo” é de um milhão de reais. Providencie o  dinheiro amanhã e indicaremos o local da troca..”
Ou seja, o filho que estava ao seu alcance agora está sob o poder dos marginais que o sequestraram. Para trazê-lo de volta (resgatá-lo), você precisa pagar o que os bandidos exigem.
No início, lá no jardim do Éden, onde não havia ainda a penetração do pecado, a Bíblia afirma que Deus visitava o casal Adão e Eva (Gn 3.8). No entanto, a partir da desobediência do homem o pecado o separou de Deus (Is. 59.2) porque Deus aborrece o pecado (a palavra pecado significa “errar o alvo”, em outras palavras, “pecado” é a transgressão, ou seja, a desobediência às leis de Deus).
Uma vez que o homem pecou contra Deus, o objetivo divino era de resgatá-lo do pecado. Usando de figura de linguagem o diabo e representado pela figura do sequestrador que roubou o homem da companhia de Deus (seu pai), o pecado é a corrente que aprisiona o homem, o homem é a vítima (o sequestrado), e Deus é o comerciante rico que quer resgatá-lo, enquanto que Jesus veio ao Mundo, o pagamento para o resquate é o sangue de Jesus.  Por isso o apóstolo Pedro adverte os irmãos a valorizar a sua liberdade, dizendo-lhes não foi com prata ou ouro que foram comprados, mas com o precioso sangue de Jesus (1 Pe 1.18).
Ser salvo por Cristo implica em que o próprio filho de Deus, rebaixou-se a forma humana, e sofrendo como humano deu sua vida em resgate da nossa.
Uma vez entendido isso, fica mais fácil entendermos porque Jesus disse que ninguém pode vir a Deus se não for por Ele (Jo 14.6). Usemos mais uma vez o exemplo que dei acima sobre o sequestro do filho de um comerciante rico para melhor entendermos o que significa estas palavras de Jesus. Imaginemos que Deus é o pai do sequestrado, você é a vítima (o sequestrado) e Jesus veio trazer o valor do resgate (o seu sangue).
Sem o pagamento (o sacrifício do sangue de Jesus) não há resgate, sem resgate não chegaremos ao Pai celestial, por isso, sendo Cristo, o portador do resgate, ele afirmou que sem ele ninguém vai até Deus, afinal ele era o responsável por entregar o pagamento que nos libertaria. Se ele negasse estaríamos perdidos para sempre. Entendeu agora?
É por isso que Jesus não podia falhar em sua missão quando veio ao mundo. Mesmo perto da hora de seu sofrimento, ele pediu ao Pai que o livrasse de passar por aquela situação, mas entendendo sua posição de intermediário entre Deus e o homem, foi fiel até o fim, pagando com o seu sangue o preço da nossa redenção.
Paulo disse que a vontade de Deus é a nossa santificação (1Ts 4.3). Santificação é a separação do pecado, logo, foi com esse intuito que Deus enviou Jesus para fazer o pagamento pelo nosso resgate (o seu sangue em troca de nos resgatar do pecado), conforme nos indica a leitura de Marcos 10.45: “Porque o filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e dar a sua vida em resgate de muitos.”
Uma vez libertos do sequestrador, o tal bandido não terá mais domínio sobre o sequestrado. A mesma coisa o apóstolo Paulo afirma sobre as pessoas que viviam debaixo do pecado e quiseram ser remidas (resgatadas) por Deus, através do sangue de Jesus. Em João 8.36 lemos o seguinte: “Se, pois o Filho (Jesus) vos libertar, verdadeiramente sereis livres”. E o apóstolo Paulo faz sua admoestação (advertência) dizendo aos irmãos da Galácia: “Irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis, então da liberdade para dar ocasião a carne” (Gl 5.13). Pedro, no entanto, faz outra advertência aos irmãos, dizendo-lhes para viverem como livres, no entanto como servos de Deus (1 Pe 2.16).
Nas palavras de Pedro, subtende-se outra coisa que muita gente desconhece: No mundo espiritual só existe dois senhores: Deus e o diabo (1Jo 3.10; 1Jo 5.19). Ao sermos resgatados do pecado (cujo senhor é o diabo), passamos, automaticamente, a servir a Deus. Em Romanos 10.9, o apóstolo Paulo coloca como condição para a salvação a confissão de que Jesus é o nosso senhor. Por outro lado quem não o confessa, indiretamente confessa-se servo do diabo, segundo o que escreveu João: “Quem pratica o pecado é do diabo” (1 Jo 3.8,10).
O pastor argentino Juan Carlos Ortiz diz em seu livro “O Discípulo” que ao aceitarmos ser salvos por Cristo não significa que ficaremos livres de “senhorio”, apenas trocamos de senhor, isto é, deixamos um senhor que nos sobrecarrega e passamos a servir outro cujo jugo é suave e o fardo é leve (Leia Mateus 11.29,30).
Deus nos resgatou do pecado (e consequentemente, do diabo, porque o pecado pertence a Ele), e ao aceitarmos a salvação enviada por Deus (o sangue de Jesus), aceitamos ao mesmo tempo servi-lo.
Sinto muito, mas você não pode ser seu próprio senhor. Por isso, Jesus designou seus discípulos a pregar o Evangelho, dizendo: “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.” Condenado a quê? A ser eternamente servo do adversário de nossas almas que nos subjuga através do pecado, e sofrer as consequências  dessa escolha (o inferno é uma delas, pois, segundo a Bíblia  ele é real).
 Ser salvo por Cristo significa servir a um senhor capaz de dar a sua vida em resgate da nossa, prometendo-nos levar de volta ao Deus Amor que nos oferece vida com abundância, pois, ao final de nossa vida terrestre, nos premia com um lugar de glória, o céu. Veja suas palavras descritas em apocalipse 3.20: “Eis que estou à porta, e bato; Se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, cearei com ele, e ele comigo.”
 Jesus te dá a chance de aceitar seu senhorio em troca de te resgatar do pecado que te oprime. Ele já pagou o preço do resgate agora só depende de você responder a sua pergunta: “Você quer ser salvo?” É pegar ou largar.

Com amor,
Em Cristo Jesus,
Leila Castanha
03/2015